Polícia Civil apresenta resultados da perícia e indicia enfermeira e médica por homicídio culposo de bebê no Acre
A Polícia Civil do Acre realizou uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (27) para apresentar os resultados da perícia e das investigações sobre o caso do recém-nascido de cinco meses de gestação que foi declarado morto erroneamente na Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco, em outubro do ano passado. Durante o evento, foi anunciado que uma enfermeira e uma médica foram indiciadas por homicídio culposo, embora os nomes das suspeitas não tenham sido divulgados publicamente.
Detalhes do caso e investigações
O caso, que chocou profundamente a população acreana, ocorreu quando o bebê, após nascer no dia 24 de outubro, foi dado como morto e deixado por aproximadamente 12 horas em um saco no necrotério da maternidade. Familiares, durante o velório, ouviram choro vindo do caixão e constataram que a criança ainda estava viva, levando-a de volta à unidade de saúde. Infelizmente, o recém-nascido não resistiu e morreu por volta das 23h do dia 26 de outubro, na mesma maternidade onde estava internado em estado crítico na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal.
O delegado Alcino Souza, responsável pelas investigações, explicou que a polícia ouviu dez servidores durante o processo, incluindo membros da equipe que atendeu a mãe e a criança inicialmente. Ele destacou que houve negligência no atendimento pós-parto, contribuindo para o óbito final. "A investigação conclui por uma contribuição para uma negligência logo após o parto. Essa contribuição foi importante para o óbito final", afirmou o delegado.
Período negligenciado e atestado inoportuno
Segundo o delegado, o período de 12 horas em que o recém-nascido foi considerado morto e deixado no necrotério foi determinante para o desfecho trágico. "Esse período negligenciado foi importante. Houve um atestado de óbito inoportuno", ressaltou. A causa da morte, conforme o laudo médico acessado pelo g1, foi hipóxia intrauterina, uma condição em que o feto não recebe oxigênio suficiente durante a gestação. No entanto, a prematuridade extrema do bebê, conforme relatado pela médica pediatra neonatologista Mariana Collodetti, também agravou o quadro médico.
A família do bebê é originária de Pauini, no interior do Amazonas, e chegou ao Acre no dia 23 de outubro para o parto, devido a um quadro de sangramento da mãe que exigiu indução. O caso levou o governador Gladson Camelí a determinar o afastamento da equipe envolvida para a Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre), que, por meio de nota pública, afirmou ter seguido os protocolos de reanimação e instaurado uma apuração interna para esclarecer os fatos.
Consequências e próximos passos
Além das ações da Polícia Civil, o caso será investigado pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) e pelo Conselho Regional de Medicina (CRM-AC). O delegado Alcino Sousa instaurou um inquérito para apurar possíveis falhas médicas no atendimento, com a hipótese de homicídio culposo. A gravidade do incidente reforça a necessidade de rigor nas investigações e medidas preventivas para evitar futuras tragédias similares em unidades de saúde.
Este episódio trágico sublinha questões críticas relacionadas à segurança e qualidade dos serviços de saúde materno-infantil no estado, destacando a importância de protocolos rigorosos e supervisão adequada para garantir o bem-estar de pacientes vulneráveis.