Empresário condenado por matar esposa em 2002 é preso na Bahia após 23 anos foragido
O empresário paulistano Sérgio Nahas, de 61 anos, foi preso no sábado (17) em Praia do Forte, no litoral norte da Bahia, quase 24 anos após o assassinato de sua esposa, Fernanda Orfali. A prisão marca o fim de uma longa fuga que durou 23 anos, desde que o crime ocorreu em setembro de 2002, no apartamento do casal no bairro nobre de Higienópolis, em São Paulo.
Detalhes do crime e a longa investigação
O assassinato de Fernanda Orfali, então com 28 anos, aconteceu após uma discussão conjugal motivada por descobertas de traições e uso de drogas por parte de Sérgio Nahas. Na época, ele tinha 38 anos e utilizou uma arma de fogo não registrada, que pertencia a ele próprio, para cometer o crime. A acusação alega que Nahas matou a esposa porque se sentiu ameaçado após ela descobrir suas infidelidades e vício, além de preocupações com a partilha de bens em um possível divórcio.
A defesa de Sérgio Nahas sempre sustentou que Fernanda Orfali sofria de depressão e teria cometido suicídio, argumento apresentado ao longo do processo judicial. No entanto, laudos periciais da Polícia Técnico-Científica indicaram a ausência de vestígios de pólvora nas mãos da vítima, um elemento crucial em casos de suicídio por arma de fogo, o que fortaleceu a tese de homicídio.
Condenação e fuga do réu
Em 2018, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou Sérgio Nahas a 7 anos de prisão em regime semiaberto pelo homicídio. A defesa recorreu da decisão, e o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2025, o STF confirmou a condenação e aumentou a pena para 8 anos e 2 meses em regime fechado, por unanimidade dos ministros.
Após essa decisão, a Justiça de São Paulo expediu um mandado de prisão em 25 de junho de 2025, mas Nahas permaneceu foragido. Seu nome e foto foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol, facilitando a busca internacional. A prisão finalmente ocorreu quando ele foi reconhecido por uma câmera de vídeo com monitoramento facial em Praia do Forte, mesmo destino turístico onde o casal havia passado a lua de mel antes do crime.
Circunstâncias da prisão na Bahia
Sérgio Nahas estava hospedado em um condomínio de luxo em Praia do Forte, município de Mata de São João, quando foi localizado pelas autoridades. Durante a prisão, a Polícia Militar encontrou com ele 17 pinos de cocaína, três celulares, um carro modelo Audi, cartões de crédito e medicamentos de uso contínuo. Esses itens foram apreendidos e devem ser analisados como parte das investigações complementares.
A prisão em Praia do Forte tem um simbolismo trágico, pois reforça a ironia de um local associado a momentos felizes do casal ter se tornado o palco da captura do réu, décadas após o crime que chocou São Paulo. A operação policial destacou a eficácia do uso de tecnologias de reconhecimento facial na perseguição a foragidos da justiça.
Impacto e repercussões do caso
O caso de Sérgio Nahas e Fernanda Orfali ganhou grande repercussão na mídia brasileira ao longo dos anos, não apenas pela violência do crime, mas também pelas reviravoltas jurídicas e pela longa fuga do acusado. A história envolve elementos como violência doméstica, impunidade temporária e a luta por justiça, temas que continuam relevantes na sociedade atual.
Com a prisão, espera-se que Sérgio Nahas comece a cumprir sua pena em regime fechado, encerrando um capítulo que durou mais de duas décadas. O caso serve como um alerta sobre a persistência das autoridades na busca por condenados e a importância de sistemas de monitoramento modernos para garantir que a justiça seja efetivada, mesmo após longos períodos.