Antonio Afonso Coelho: o criminoso mais antigo procurado pela Justiça brasileira
Uma pequena cidade às margens do rio Tocantins, no norte do Pará, tornou-se o cenário de um dos casos mais emblemáticos da Justiça brasileira. Antonio Afonso Coelho foi condenado por homicídio em 1989, há 37 anos, e nunca foi preso, mantendo-se como o foragido mais antigo do país.
O crime que condenou o foragido
O episódio ocorreu na Fazenda Piratininga, localizada no quilômetro 50 da Rodovia Transcametá (BR-422), em Baião. Em 12 de dezembro de 1989, pouco depois das 14h, Coelho matou a tiros de espingarda Antonio da Silva Borges da Costa, alegando uma suposta ameaça de morte. A vítima faleceu instantaneamente, sem chance de defesa.
A Justiça do Pará expediu um mandado de prisão preventiva em 1990, mas ele nunca foi cumprido. Houve suspeitas de que o assassino teria fugido para Minas Gerais, mas isso nunca se confirmou. Coelho não constituiu advogado e nem se defendeu durante o processo, deixando sua versão dos fatos desconhecida.
Condenação e mandado de prisão
O Tribunal do Júri de Baião condenou Antonio Afonso Coelho em junho de 2012, 23 anos após o crime. Os jurados o consideraram culpado, e o juiz Weber Lacerda Gonçalves classificou a suposta ameaça como um "motivo fútil", aumentando a pena do réu.
O mandado de prisão preventiva foi expedido com validade de 50 anos, o que significa que permanece ativo até 2040. Se Coelho ainda estiver vivo, completou 71 anos recentemente, mantendo-se como um dos quase 300 mil mandados de prisão em aberto no Brasil.
Contexto e impacto na Justiça brasileira
O caso de Antonio Afonso Coelho ilustra a complexidade e os desafios do sistema judiciário brasileiro. Enquanto criminosos famosos, como André do Rap e Bernardo Bello, também figuram na lista de procurados, a maioria é composta por pessoas anônimas, como Coelho, que permanecem à margem da Justiça.
A rodovia Transcametá (BR-422), por onde se chega à fazenda onde o crime ocorreu, até pouco tempo atrás não possuía asfalto, refletindo a infraestrutura precária de algumas regiões do país. Este cenário pode ter contribuído para a dificuldade em localizar o foragido.
Antonio Afonso Coelho não tinha passagens policiais anteriores ao episódio, o que torna seu caso ainda mais intrigante. A ausência de defesa durante o processo e a falta de informações sobre seu paradeiro atual destacam as lacunas na aplicação da lei.
Este caso serve como um alerta para a necessidade de aprimorar os mecanismos de busca e cumprimento de mandados, garantindo que a Justiça seja efetiva para todos, independentemente do tempo decorrido ou da notoriedade do criminoso.