Corretora assassinada em GO havia denunciado síndico ao Creci por exercício ilegal da profissão
Corretora assassinada havia denunciado síndico ao Creci

Corretora assassinada em Goiás havia feito denúncias formais contra síndico e filho corretor

A corretora de imóveis Daiane Alves dos Santos, de 43 anos, assassinada em Caldas Novas (GO), havia apresentado denúncias formais em maio de 2025 ao Creci-GO (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Goiás). As queixas eram contra o síndico do prédio onde residia, Cléber Rosa de Oliveira, e contra o filho dele, Maykon Douglas de Oliveira, corretor de imóveis registrado.

Suspeitos presos e motivação do crime

O síndico foi preso sob suspeita de matar a corretora, enquanto o filho foi detido por suspeita de atrapalhar as investigações. Segundo a polícia, Cléber Rosa de Oliveira é a única pessoa com motivação e meios para o assassinato. Ambos estão presos temporariamente.

Por meio de nota, a defesa do síndico informou que, após a audiência de custódia, ele já prestou depoimento e mantém a postura de contribuir para o esclarecimento dos fatos. A reportagem não localizou a defesa de Maykon Douglas.

Denúncias ao Creci e procedimentos administrativos

O Creci informou que Daiane denunciou que Cléber dificultava a atividade de locação por temporada no condomínio e exercia ilegalmente a profissão de corretor, sem registro profissional. Diante disso, o conselho instaurou procedimento administrativo para apuração.

Por se tratar de pessoa não inscrita, os autos foram encaminhados à autoridade policial, pois o exercício ilegal configura contravenção penal. Em relação a Maykon Douglas, corretor inscrito, foi aberto processo de representação por indícios de infração ética-disciplinar, também a partir de reclamação de Daiane.

O procedimento foi encaminhado à Comissão de Ética e Fiscalização Profissional e pode resultar em sanções que vão de advertência à cassação do registro.

Histórico de conflitos e detalhes do crime

Na entrevista concedida pela Polícia Civil, os delegados afirmaram que a investigação considerou o histórico de conflitos entre a vítima e a administração do prédio. O principal motivo para o crime teriam sido desavenças que começaram quando Daiane se mudou e passou a administrar seis apartamentos da família, antes geridos pelo suspeito.

A última imagem de Daiane dentro do elevador foi registrada às 19h do dia 17 de dezembro, quando ela se dirigiu ao subsolo para verificar a interrupção de energia em seu apartamento. Às 19h08, outra moradora usou o elevador para o mesmo andar, mas não viu nada incomum. A polícia acredita que o suspeito matou a vítima nesse intervalo.

A vítima teria ido ao subsolo para acessar o quadro de energia, após perceber que apenas seu apartamento estava sem luz. O procedimento de cortar a energia de determinados apartamentos era uma conduta frequente do síndico. Ela desceu filmando com o celular, o que pode ter gerado atrito.

Análises periciais e situação da família

A Polícia Científica informou que as análises periciais seguem para identificação formal da vítima e estabelecimento da causa da morte. O advogado da família, Plínio César Cunha Mendonça, afirmou que apenas os restos mortais da corretora foram encontrados.