Brasil tem quase 300 mil mandados de prisão em aberto: crise de foragidos expõe falhas do Estado
Brasil tem 300 mil mandados de prisão em aberto: crise de foragidos

Brasil tem quase 300 mil mandados de prisão em aberto: crise de foragidos expõe falhas do Estado

O Brasil enfrenta uma situação alarmante com quase 300 mil mandados de prisão em aberto, um número que revela uma profunda crise na segurança pública e na justiça. Essa legião de criminosos circulando livremente pelas ruas é um problema que o poder público não pode ignorar, pois representa uma ameaça constante à sociedade e à ordem legal.

Exemplos emblemáticos de foragidos

Casos como o de Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, ilustram a gravidade do cenário. Com 26 mandados de prisão e uma ficha criminal com 269 anotações, incluindo homicídios e tráfico de drogas, ele escapou de uma grande operação policial no Rio de Janeiro e hoje é o criminoso mais procurado do país, com uma recompensa de 100 mil reais. Outros nomes de destaque incluem André do Rap, ligado ao PCC e a organizações internacionais, e o bicheiro Bernardo Bello, acusado de assassinatos e retratado em séries de streaming.

Causas da crise de foragidos

Vários fatores contribuem para essa situação crítica. A precariedade das investigações é um ponto central, com baixo investimento em inteligência e tecnologia, priorizando-se ações ostensivas em detrimento de trabalhos discretos e eficazes. A desarticulação entre autoridades também é um obstáculo significativo, pois não há um banco de dados unificado que reúna todos os criminosos procurados, dificultando a coordenação entre estados e órgãos federais.

Além disso, a porta giratória da Justiça agrava o problema. Com audiências de custódia resultando em liberação em 45% dos casos, muitos detidos retornam rapidamente às ruas, perpetuando um ciclo de impunidade. Medidas cautelares, como tornozeleiras eletrônicas, frequentemente são descumpridas, com relatos de criminosos violando restrições judiciais dezenas de vezes.

Impactos sociais e desafios

A dificuldade em manter criminosos presos pode levar a tragédias, como o caso do ciclista Vitor Medrado, morto em São Paulo por ladrões com extensas fichas criminais que não deveriam estar em liberdade. Apesar do alto número de detenções anuais, o sistema carcerário já opera com superlotação, com 745 mil presos para apenas 485 mil vagas, o que limita a capacidade de cumprir todos os mandados em aberto.

Iniciativas como o Projeto Captura do Ministério da Justiça e a PEC da Segurança buscam mitigar a crise, mas enfrentam tramitação lenta no Congresso. Tecnologias como reconhecimento facial, como no caso do empresário Sérgio Nahas preso após 23 anos, mostram potencial, mas exigem investimentos maiores e integração eficaz.

Contexto histórico e internacional

Historicamente, o Brasil já foi visto como um refúgio para foragidos internacionais, como o assaltante britânico Ronald Biggs e o mafioso italiano Tommaso Buscetta, que encontraram aqui uma espécie de paraíso. Hoje, a Interpol lista 78 brasileiros procurados globalmente, incluindo figuras como o ex-executivo Carlos Ghosn, evidenciando que o problema transcende fronteiras.

Caminhos para solução

Especialistas apontam que é essencial interligar e unificar os bancos de dados, ampliar o investimento em tecnologia e inteligência, e promover maior sinergia entre órgãos estatais, como demonstrado em operações conjuntas bem-sucedidas. Melhorar o arcabouço legal, equilibrando punição e ressocialização, também é crucial, mas deve ser feito com cuidado, evitando decisões apressadas influenciadas por ciclos eleitorais.

Em resumo, a crise dos foragidos no Brasil expõe um Estado desarticulado, onde a falta de cumprimento das leis gera impunidade e insegurança. Encontrar e punir criminosos requer um esforço coordenado e investimentos estratégicos para restaurar a autoridade estatal e fazer justiça de forma efetiva.