MPRJ pede prisão de advogada argentina por gestos racistas em bar de Ipanema
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou uma denúncia e solicitou a prisão da advogada argentina Agostina Páez, de 29 anos, nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026. A ação judicial é motivada por acusações de injúria racial e gestos racistas contra três funcionários de um estabelecimento comercial na famosa praia de Ipanema, localizada na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Ofensas racistas gravadas em vídeo
De acordo com as investigações, o incidente ocorreu no dia 14 de janeiro, quando a turista argentina se envolveu em uma discussão com o gerente do bar devido a um suposto erro no pagamento da conta. Durante a confusão, Páez teria chamado um dos trabalhadores de negro em sentido pejorativo e, ao deixar o local, proferiu a palavra mono, que significa macaco em espanhol.
Um vídeo amplamente divulgado nas redes sociais mostra o momento em que a advogada, já na rua, imita sons e movimentos característicos de um macaco, enquanto uma acompanhante tenta conduzi-la para longe do local. As imagens foram capturadas pelas câmeras de segurança do estabelecimento e posteriormente gravadas por um funcionário, servindo como prova crucial no processo.
Risco de fuga motiva pedido de prisão
A promotoria do MPRJ argumenta que existe um risco concreto de fuga, uma vez que Páez ainda se encontra no território brasileiro. A denúncia detalha que a advogada utilizou expressões como negros de m... e repetiu gestos ofensivos mesmo após ser informada de que tais atitudes configuram crime no Brasil.
Em decorrência das acusações, a argentina já teve seu passaporte apreendido por agentes da 11ª Delegacia de Polícia (Rocinha) no dia 17 de janeiro e passou a utilizar uma tornozeleira eletrônica como medida cautelar. Apesar das provas apresentadas, Agostina Páez nega veementemente todas as acusações de racismo.
Consequências legais e envolvimento de terceiros
O crime de injúria racial é equiparado ao crime de racismo na legislação brasileira, com penas que variam de dois a cinco anos de prisão, além do pagamento de multa. A decisão do MPRJ reflete a gravidade dos atos, que foram considerados repetitivos e com intenção clara de humilhar as vítimas.
Além da advogada, uma amiga de Agostina também foi indiciada por falso testemunho em sede policial, complicando ainda mais o cenário jurídico do caso. As autoridades continuam analisando as evidências para garantir que a justiça seja aplicada de forma adequada.
Este caso chama a atenção para a importância do combate ao racismo no Brasil, especialmente em locais turísticos como Ipanema, onde a diversidade cultural deve ser respeitada. O MPRJ reforça seu compromisso em punir atos discriminatórios, independentemente da nacionalidade dos envolvidos.