Polícia investiga advogada argentina por ofensas racistas em Ipanema e ameaças sofridas
A argentina Agostina Paez, acusada de gestos racistas contra funcionários de um bar em Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro, registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil na noite de terça-feira (20). Ela alega ter sofrido ameaças e injúrias após o episódio viralizado nas redes sociais.
Detalhes das ameaças relatadas pela advogada
Agostina afirmou ao g1 que três homens foram até o apartamento onde ela estava hospedada com amigas, quando ela não estava presente, se passando por policiais e perguntando por ela. "Disseram que a polícia me procurava, e a polícia não está me procurando porque estou em contato constante com eles. E, de fato, essas pessoas se fizeram passar", declarou a advogada.
Ela suspeita que o endereço do local tenha sido vazado e já solicitou as imagens das câmeras de segurança para comprovar sua versão. Além disso, Agostina relatou à polícia ter recebido ameaças de agressão através das redes sociais, reforçando que "não sou racista".
Andamento do inquérito policial sobre o caso de racismo
O caso está sendo investigado pela Delegacia Especial de Apoio ao Turista (Deat), e a 11ª DP (Rocinha) espera concluir o inquérito até quinta-feira (22). Segundo o delegado Diego Salarini, titular da delegacia, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público ainda nesta semana após a realização de novas diligências.
Agostina Paez, de 29 anos, já prestou depoimento e disse ter ficado surpresa com a intimação. Ela alega que os gestos racistas, capturados em vídeo e amplamente compartilhados, teriam sido uma "brincadeira" direcionada às amigas, e não ao funcionário do bar. Nas imagens, porém, ela aparece chamando o atendente de "mono" – termo em espanhol que significa macaco e é considerado ofensa racial – e imitando um primata.
Contestações e justificativas apresentadas pela acusada
"Ela alegou que, na verdade, os gestos corporais simulando um primata estavam voltados às amigas em tom de brincadeira, não ao ofendido", explicou o delegado Salarini. À reportagem, Agostina acrescentou que teria sido provocada por atendentes do bar, que fizeram gestos obscenos e tentaram enganá-la no pagamento da conta.
Apesar disso, ela admitiu o erro: "Minha reação de fazer aqueles gestos para minhas amigas depois de ser provocada foi errada, mas eu nem sabia que eles estavam nos observando. Não sabia que era crime no Brasil".
Medidas restritivas impostas pela Justiça
Por determinação judicial, a pedido da Polícia Civil, Agostina Paez deveria ter o passaporte apreendido e precisa usar tornozeleira eletrônica. Até o momento da publicação, a tornozeleira não havia sido instalada, de acordo com a polícia.
Como ela entrou no Brasil apenas com a carteira de identidade argentina, a Polícia Federal foi acionada para impedir que a advogada deixe o país utilizando esse documento. O caso continua sob investigação, com expectativa de rápida conclusão nos próximos dias.