Fraude em postos de combustível em Curitiba atinge 44 estabelecimentos, aponta laudo da PF
Um laudo da Polícia Federal (PF) revelou que, de 50 postos de combustíveis analisados em Curitiba e na Região Metropolitana, 44 abasteciam menos do que o indicado na nota fiscal. As investigações, que desvendam um esquema criminoso de adulteração, mostram que os consumidores foram lesados com diferenças que variaram de 1% até 8,1% a menos do volume pago.
Esquema usava laranjas e adulterava qualidade do combustível
As apurações da PF identificaram que os criminosos operavam por meio de laranjas, pessoas de baixa renda ou em situação informal que emprestavam seus dados para a abertura de empresas. Em troca, recebiam uma mesada de cerca de R$ 1,5 mil. A operação era controlada por um grupo autointitulado diretoria, composto por sete indivíduos, que gerenciavam lucros e fraudes através de um grupo de WhatsApp.
Além da adulteração na volumetria, o esquema também envolvia a qualidade inferior do combustível. Das 50 amostras coletadas entre maio e junho de 2025, 28 apresentaram teor de etanol acima do permitido, com valores que chegavam a 79% de álcool misturado à gasolina, quando o limite era de 27%. A adulteração era feita inclusive por meio de um aplicativo no celular, causando danos aos veículos dos consumidores.
Lavagem de dinheiro movimentou bilhões de reais
As fraudes nos postos serviam como base para um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado. Os lucros ilícitos eram injetados em uma estrutura financeira complexa, utilizando empresas de fachada e depósitos fracionados. Conforme o relatório da PF, os postos sob controle do grupo tiveram um aumento médio de 187% nos depósitos, passando de R$ 95,6 mil para R$ 276,3 mil mensais por estabelecimento.
As investigações, que começaram em 2023, revelaram conexões com facções criminosas e uma distribuidora de petróleo que declarou faturamento de mais de R$ 7 bilhões entre 2020 e 2023. No total, estima-se que mais de R$ 20 bilhões tenham circulado em empresas sem declarações fiscais correspondentes entre 2019 e 2025.
Penalidades e defesas dos investigados
A Polícia Federal indiciou os sete homens apontados como chefes da diretoria, além de um oitavo indivíduo descrito como peça fundamental na ocultação de patrimônio. Eles responderão por crimes de estelionato e contra a ordem econômica, com penas que podem somar até 40 anos de reclusão cada. Sete deles já são réus por lavagem de dinheiro e organização criminosa em ação penal decorrente da mesma operação.
As defesas dos investigados negaram envolvimento nos crimes ou afirmaram que os fatos não demonstram prática ilícita, confiando na análise técnica para afastar acusações. Atualmente, parte dos investigados está presa, enquanto outros são considerados foragidos.
As irregularidades nos postos serão ainda apuradas em procedimento administrativo pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), garantindo que as normas de qualidade e metrologia sejam rigorosamente aplicadas.