Tensão em Mineápolis após morte de cidadão americano por agentes federais de imigração
A semana começou com um clima de alta tensão em Mineápolis, nos Estados Unidos. A cidade mais populosa do estado de Minnesota se tornou palco de protestos intensos contra o ICE, a Agência Federal de Imigração e Alfândega. A situação se agravou significativamente depois que agentes federais mataram a tiros, no último sábado, mais um cidadão americano, aumentando a revolta da população local.
Vigília sob temperaturas extremas
Quem acompanha os acontecimentos de perto são os enviados especiais Nilson Klava e Alex Carvalho. "Estamos exatamente no local onde Alex Pretti foi morto pelos agentes de migração", relata Klava. "O local virou agora um ponto de vigília, com pessoas trazendo flores e velas para prestar homenagens, tudo isso sob circunstâncias muito adversas, com sensação térmica de -20ºC".
O principal apelo ouvido no local é pelo fim das operações anti-imigração, um pedido que vem ganhando cada vez mais espaço na sociedade americana. Uma pesquisa do Instituto Ipsos divulgada nesta segunda-feira mostrou que 58% dos americanos acreditam que a repressão aos imigrantes está passando dos limites.
Mudança no tom de Trump
Não é à toa que o presidente americano, Donald Trump, mudou de tom nesta segunda-feira. Depois de críticas contundentes às autoridades locais democratas, ele conversou por telefone com o prefeito e o governador de Minnesota. Trump foi além e anunciou que a principal autoridade para imigração de seu governo desembarcaria em Mineápolis para conversar com o prefeito.
"Nós vamos continuar vindo aqui todos os dias. Queremos paz", é o apelo de um manifestante. Desde sábado, mesmo com sensação térmica em torno de -30ºC, moradores mantêm vigília no local onde Alex Pretti foi morto por agentes federais da Patrulha de Fronteira e do ICE.
O segundo caso em poucas semanas
Alex foi o segundo cidadão americano morto por agentes federais em pouco mais de duas semanas. Um cartaz mostra ele e Renee Good, morta no dia 7 de janeiro. Alex era enfermeiro da UTI de um hospital para veteranos das Forças Armadas e tinha licença para portar arma.
No sábado de manhã, ele estava com um celular na mão filmando a ação dos agentes durante um protesto e tentava ajudar manifestantes quando foi imobilizado. Um agente percebeu que Alex estava armado e tirou a arma de sua cintura. Outro agente começou a disparar: cinco tiros inicialmente e, depois, com Alex imóvel no chão, mais cinco tiros foram ouvidos.
Operação que virou símbolo
A morte aumentou a revolta dos moradores contra a truculência do ICE nas abordagens. Desde o fim de 2025, 3 mil agentes foram enviados para Mineápolis em uma operação que virou símbolo da política de deportação em massa. As autoridades locais recorreram à Justiça para questionar o envio dos agentes e pedir sua expulsão.
O caso está nas mãos de uma juíza federal de Mineápolis, que conduziu uma audiência nesta segunda-feira ouvindo argumentos dos advogados dos governos municipal, estadual e federal. A audiência terminou sem decisão, e a juíza não tem prazo para se pronunciar.
Investigação independente
Mesmo reafirmando apoio às operações do ICE, Trump pareceu reduzir tensões após ligação do governador Tim Walz. Em rede social, o presidente disse que os dois estão em sintonia e que pediu para Tom Homan, conhecido como "czar da fronteira", ligar para o governador. Homan foi enviado para comandar as operações no estado.
O gabinete do governador afirmou que Trump concordou em avaliar redução do número de agentes em Minnesota e garantir investigação independente sobre a morte de Alex. Porém, a porta-voz da Casa Branca disse mais tarde que não houve compromisso sobre participação de autoridades locais.
Reações políticas e familiares
O apelo por investigação imparcial vem da oposição democrata, mas também cresce entre parlamentares do próprio partido de Trump. Os agentes envolvidos foram retirados de Mineápolis, mas continuam trabalhando.
A secretária do Departamento de Segurança Interna, Kristi Noem, chegou a chamar Alex de "terrorista doméstico". Os pais de Alex divulgaram carta acusando o governo de contar "mentiras repugnantes e doentias sobre o filho", afirmando estar "de coração partido" e descrevendo Alex como pessoa de coração bondoso.
Ex-presidentes Bill Clinton e Barack Obama condenaram a morte. Obama escreveu em rede social: "O assassinato de Alex Pretti é uma tragédia e deveria servir de alerta para todos os americanos de que muitos de nossos valores fundamentais como nação estão cada vez mais sob ataque".