Ex-primeira-dama sul-coreana Kim Keon Hee condenada a um ano e oito meses por suborno
Kim Keon Hee, ex-primeira-dama da Coreia do Sul, condenada por suborno

Ex-primeira-dama sul-coreana Kim Keon Hee condenada por suborno em caso que abala a política do país

A ex-primeira-dama da Coreia do Sul, Kim Keon Hee, foi condenada nesta quarta-feira, 28 de agosto de 2025, por aceitar subornos, em um veredito que marca um capítulo turbulento na história política recente do país asiático. O tribunal atribuiu a ela uma pena de um ano e oito meses de prisão, após um julgamento que atraiu atenção internacional.

Absolvições e recurso anunciado pela defesa

Kim foi absolvida de outras duas acusações graves: manipulação de ações e violação da lei de financiamento público. A defesa da ex-primeira-dama já se manifestou, afirmando que vai recorrer da decisão, o que pode prolongar o processo legal por meses ou até anos. A condenação ocorre em um contexto de intensa pressão judicial sobre figuras públicas na Coreia do Sul.

Antecedentes do caso e prisão anterior

A ex-primeira-dama foi presa em 12 de agosto de 2025, em Seul, acusada inicialmente de fraude no mercado financeiro, suborno e tráfico de influência. Com essa detenção, Kim tornou-se a primeira esposa de um presidente ou ex-presidente a ser detida na história da Coreia do Sul, um fato que sublinha a gravidade das acusações e a quebra de precedentes na política local.

Cenário conjugal: marido também enfrenta condenações

Kim é casada com o ex-presidente Yoon Suk Yeol, que está preso desde julho de 2025. Yoon sofreu impeachment após tentar um autogolpe ao decretar lei marcial em dezembro de 2024. Em janeiro deste ano, ele foi condenado a cinco anos de prisão por crimes relacionados à obstrução da justiça, incluindo:

  • Excluir funcionários do governo de uma reunião sobre os preparativos para a imposição da lei marcial.
  • Fabricar um documento oficial relacionado à declaração da lei marcial.
  • Impedir que investigadores o prendessem, escondendo-se por semanas na residência oficial sob proteção de sua guarda pessoal.
  • Destruir possíveis provas criminais ao ordenar a eliminação de registros telefônicos oficiais.

Agora, o ex-presidente ainda enfrenta mais sete processos separados, e um deles, que julga insurreição, pode resultar em pena de morte. A defesa de Yoon também anunciou que irá recorrer da decisão, mantendo a tensão no sistema judiciário sul-coreano.

Perfil controverso de Kim Keon Hee

Especialista em artes visuais e responsável pela criação e gestão de uma agência de curadoria bem-sucedida, Kim esteve no centro de uma série de escândalos tanto antes quanto depois da eleição de seu marido, em 2022. As polêmicas, em vários momentos, chegaram a eclipsar a já conturbada presidência de Yoon.

Suas aparições públicas, marcadas por escolhas de vestuário que chamaram atenção, e sua atuação nos bastidores do poder — incluindo a defesa da proibição do consumo de carne de cachorro — contribuíram para sua imagem controversa em um país onde se espera que a primeira-dama adote um perfil reservado. Esse contexto ajudou a alimentar as investigações e o julgamento que agora resultaram em sua condenação.

O caso de Kim Keon Hee reflete as complexidades da justiça e da política na Coreia do Sul, com implicações que podem influenciar futuras eleições e a percepção pública sobre a elite governante. A situação continua em evolução, com recursos pendentes que podem alterar o curso final das sentenças.