Funcionários de Big Techs pedem fim da violência do ICE após mortes em protestos
Funcionários de gigantes da tecnologia pressionam CEOs contra violência do ICE

Um movimento significativo está ganhando força dentro das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Mais de quatrocentos funcionários de gigantes do setor assinaram um abaixo-assinado urgente, conclamando os CEOs a utilizarem sua influência política para pressionar a Casa Branca contra as ações violentas do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, conhecido pela sigla ICE.

Pressão corporativa em meio a escalada de tensões

O apelo ocorre em um contexto de crescente crítica à agência federal, envolvida em incidentes graves que chocaram a opinião pública. A carta é assinada por profissionais de empresas de peso global, incluindo Google, Meta, Microsoft, Amazon, Spotify, YouTube, OpenAI, Apple, TikTok, PayPal e Nvidia, entre outras. No documento, os signatários fazem um chamado direto aos líderes das big techs.

Três exigências principais aos CEOs

Os trabalhadores listam três ações concretas que desejam ver realizadas:

  1. Ligar para a Casa Branca e exigir que o ICE deixe as cidades onde atua de forma considerada truculenta.
  2. Cancelar todos os contratos empresariais que suas companhias mantêm com a agência de imigração.
  3. Denunciar publicamente a violência atribuída ao órgão federal.

O texto da petição é enfático: "Queremos ter orgulho de trabalhar na área de tecnologia… Podemos e devemos usar nossa influência para acabar com essa violência". Os profissionais argumentam que a indústria de tecnologia detém um peso político real em Washington e citam um precedente histórico. Em outubro passado, quando o então presidente Donald Trump ameaçou enviar a Guarda Nacional para São Francisco, executivos do setor fizeram ligações para a Casa Branca – e a medida resultou no recuo da ordem presidencial.

O estopim: mortes e protestos em Minneapolis

O cenário de tensão se agravou consideravelmente após uma série de eventos trágicos em Minneapolis. No dia 7 de janeiro, Renee Good morreu durante confrontos com agentes federais em manifestações contra ações do ICE na cidade. Desde então, milhares de moradores foram às ruas para protestar contra a truculência da agência e as apreensões de imigrantes.

Uso de crianças e nova fatalidade

A situação se tornou ainda mais delicada na última quinta-feira, 22 de janeiro, quando pelo menos quatro crianças foram detidas por agentes federais. Relatos indicam que uma delas teria sido usada como "isca" em uma tentativa de atrair familiares durante uma operação ocorrida na terça-feira, 20 de janeiro, mas divulgada apenas dias depois.

No sábado, 25 de janeiro, a tensão atingiu um novo patamar com a morte de Alex Pretti, um cidadão americano baleado por agentes federais durante um protesto contra as políticas de imigração do presidente Donald Trump. O incidente gerou uma nova onda de revolta e manifestações públicas, alimentando o clamor por mudanças.

Trechos traduzidos da carta aberta

O documento, intitulado "A indústria de tecnologia exige que o ICE saia de nossas cidades", traz declarações contundentes. "Somos profissionais da indústria de tecnologia nos Estados Unidos. Todos nós testemunhamos o assassinato brutal de um cidadão americano pela ICE nas ruas de Minneapolis. Depois, o governo Trump mentiu descaradamente sobre o ocorrido", afirma um trecho.

O texto continua: "Não chegamos a essa situação da noite para o dia. Há meses, Trump envia agentes federais às nossas cidades para criminalizar a nós, nossos vizinhos, amigos, colegas e familiares. De Minneapolis a Los Angeles e Chicago, vimos bandidos armados e mascarados espalharem violência desenfreada, sequestros, terror e crueldade sem fim à vista".

Os signatários concluem com um apelo direto: "Isso não pode continuar, e sabemos que a indústria de tecnologia pode fazer a diferença. Quando Trump ameaçou enviar a Guarda Nacional para São Francisco em outubro, líderes da indústria de tecnologia ligaram para a Casa Branca. Funcionou: Trump recuou. Hoje, convocamos nossos CEOs a pegarem o telefone novamente".

O movimento representa uma rara união de força trabalhista dentro do competitivo setor de tecnologia, colocando a responsabilidade social corporativa no centro do debate sobre imigração e segurança pública nos Estados Unidos.