Familiares de Chairon Vitor Sepulvida, um jovem brasileiro de 23 anos, estão em alerta máximo após denunciarem seu desaparecimento desde julho de 2025. O caso ganhou contornos internacionais, pois ele supostamente havia se alistado no Exército da Rússia cerca de quatro meses antes do sumiço.
Origem e contexto familiar
Chairon nasceu em Diadema, no estado de São Paulo, mas suas raízes familiares estão em Oeiras, no Piauí. Essa dupla nacionalidade simbólica ressalta a complexidade do caso, que envolve múltiplas jurisdições e preocupações consulares.
O caminho até a Rússia
Segundo a mãe, Charlaenne Sepulvida, o filho já tinha experiência militar, tendo servido previamente no Exército Brasileiro. A decisão de viajar para a Rússia surgiu após ele conhecer um canal de alistamento no Instagram, uma plataforma que se tornou um vetor inesperado para recrutamento internacional.
Charlaenne afirma que o jovem foi aliciado para atuar no conflito armado contra a Ucrânia, aproveitando sua formação como mecânico de armas adquirida no serviço militar brasileiro. Ele conheceu um canal de alistamento pelo Instagram e foi aliciado a ir [para a Rússia] como mecânico de armas, que é a formação dele no Exército Brasileiro, relatou a mãe em entrevista.
Linha do tempo do desaparecimento
Chairon embarcou para a Rússia em março de 2025, mantendo contato frequente com a família até 15 de julho do mesmo ano. Nessa data, ele deixou de responder mensagens e atender ligações, iniciando um período de angústia e incerteza para seus parentes.
Desde então, os familiares receberam informações não confirmadas e perturbadoras. Nos informavam que ele constava como desaparecido e isso vinha se arrastando. Em 18 de dezembro, um rapaz que dizia conhecer o meu filho disse que ele estava na lista dos mortos, completou Charlaenne, destacando a falta de clareza oficial sobre o paradeiro do jovem.
Esforços para obter respostas
Em um movimento desesperado, a mãe tenta arrecadar dinheiro nas redes sociais para viajar até a Rússia em busca de informações oficiais. Essa iniciativa reflete a frustração com a lentidão dos canais formais e a urgência de descobrir a verdade sobre o destino de Chairon.
Posicionamento das autoridades
O Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Moscou, informou que está em contato com a família e presta a assistência consular cabível. No entanto, o órgão ressalta que casos envolvendo brasileiros em forças armadas de outros países apresentam especificidades inerentes às obrigações contraídas no ato de alistamento e às circunstâncias no terreno de operações.
Em nota oficial, o ministério declarou: A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional. Note-se que a prestação de assistência consular em situações que envolvem nacionais engajados em forças armadas de terceiros países apresenta especificidades, inerentes às obrigações contraídas no ato de alistamento e às circunstâncias no terreno de operações.
Além disso, o ministério destacou que, em observância à Lei de Acesso à Informação, não divulga detalhes pessoais ou específicos sobre a assistência prestada, mas informou ter publicado um alerta recente sobre a participação de combatentes brasileiros em conflitos armados em terceiros países.
Busca por respostas do Exército Brasileiro
O g1 também buscou o Exército Brasileiro para comentar o caso, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Essa falta de resposta acrescenta uma camada de incerteza às investigações e aos esforços familiares.
O desaparecimento de Chairon Vitor Sepulvida ilustra os riscos crescentes de recrutamento digital em conflitos internacionais, levantando questões sobre segurança, soberania e a proteção de cidadãos brasileiros no exterior. A família continua na esperança de respostas concretas, enquanto as autoridades trabalham dentro dos limites legais e diplomáticos para esclarecer o mistério.