Brasileiro condenado na Irlanda por feminicídio de ex-namorada em apartamento de Cork
Brasileiro condenado na Irlanda por feminicídio de ex-namorada

Brasileiro condenado na Irlanda por assassinato de ex-namorada em caso que chocou comunidade

Miller Pacheco, um brasileiro natural de Formiga, Minas Gerais, com 32 anos de idade, foi condenado nesta quinta-feira, 22 de fevereiro, pelo assassinato de sua ex-namorada, Bruna Fonseca, de 28 anos. O crime ocorreu no dia 1º de janeiro de 2023, dentro do apartamento onde Pacheco residia, localizado na Liberty Street, na cidade de Cork, na Irlanda. O julgamento, realizado no Tribunal Criminal Central, contou com um júri composto por sete mulheres e cinco homens, que decidiram pela condenação por unanimidade, rejeitando a alegação de inocência apresentada pelo réu.

Sentença final e reação emocional da família

A sentença final, que determinará a pena a ser aplicada a Miller Pacheco, será anunciada pelo Tribunal Criminal às 12 horas desta sexta-feira, 23 de fevereiro, conforme informado por familiares da vítima. Durante o julgamento, a irmã de Bruna, Izabel Fonseca, juntamente com outra irmã, Fernanda Fonseca, uma sobrinha e uma prima, acompanharam presencialmente os procedimentos na Irlanda. Ao ouvirem a decisão de condenação, as familiares choraram e se abraçaram no plenário, demonstrando uma mistura de emoções intensas.

Em entrevista ao g1, Izabel Fonseca descreveu o momento como um "mistura de alívio e dor". Ela explicou que, embora a condenação traga um senso de justiça, não é capaz de apagar a ausência irreparável de Bruna. "É um momento de encerramento jurídico, sem jamais significar o fim do luto ou da saudade", afirmou, destacando o impacto duradouro da tragédia na vida da família.

Detalhes do crime e investigação policial

Bruna Fonseca foi estrangulada até a morte no apartamento de Miller Pacheco. De acordo com as investigações, ela havia ido ao local para realizar uma chamada de vídeo por FaceTime com um familiar que cuidava do cachorro do casal no Brasil. A polícia irlandesa foi acionada após Bruna ser encontrada desacordada por volta das 6h30 da manhã de 1º de janeiro de 2023. Paramédicos tentaram reanimá-la, mas não obtiveram sucesso, e exames médicos posteriores confirmaram que a morte foi resultado de estrangulamento e espancamento.

Testemunhas relataram ter ouvido gritos de uma mulher por volta das 4h15 da madrugada no prédio onde ocorreu o crime. Além disso, a prima de Bruna, que também morava na Irlanda na época, testemunhou que, após o assassinato, Miller Pacheco ligou para um amigo e confessou ter matado a ex-namorada, enviando inclusive um vídeo que mostrava o corpo da vítima. Quando confrontado, Pacheco inicialmente negou a autoria, mas, sob pressão, admitiu ter sufocado Bruna.

Contexto do relacionamento e mudança para a Irlanda

Bruna Fonseca e Miller Pacheco mantinham um relacionamento há aproximadamente três anos. Em 2022, o casal terminou o namoro, mas reatou em meados de julho. Em setembro daquele ano, Bruna se mudou para a Irlanda para participar de um programa de intercâmbio, estabelecendo-se em Cork. Dois meses depois, em novembro, Miller também viajou para a cidade europeia. No entanto, o relacionamento chegou ao fim novamente em novembro de 2022, e ambos passaram a morar em apartamentos separados, embora continuassem na mesma cidade.

De acordo com o promotor Bernard Condon, que atuou no caso, Bruna já estava em outro relacionamento no momento do crime, com um jovem argentino que conheceu durante um curso de inglês. Apesar da separação, Bruna e Miller se encontraram em uma comemoração de Réveillon na virada do ano, poucas horas antes do assassinato.

Perfil da vítima e impacto na comunidade

Bruna Fonseca nasceu em 11 de maio de 1994, em Formiga, Minas Gerais. Familiares e amigos a descrevem como uma pessoa batalhadora, discreta, carismática e religiosa. Aos 24 anos, em 2018, ela concluiu a graduação em Biblioteconomia na Universidade de Formiga (Unifor-MG). Sua irmã, Izabel, relembrou que Bruna sempre demonstrava determinação, dizendo que "mesmo que tudo desse errado, ela tentaria sempre de novo".

O crime chocou a comunidade brasileira na Irlanda e trouxe à tona questões sobre violência de gênero e segurança em contextos internacionais. A condenação de Miller Pacheco marca um passo significativo na busca por justiça, mas também serve como um lembrete trágico dos riscos enfrentados por mulheres em relacionamentos abusivos.