Morte de Alex Pretti por agentes federais gera versões conflitantes e protestos nos EUA
A polícia de Minneapolis confirmou que Alex Pretti, o homem morto por agentes federais de imigração da administração Trump no último sábado (24), era proprietário legítimo da arma encontrada no local do incidente. A revelação amplia as contradições entre as narrativas oficiais e aumenta a tensão política em meio a protestos que se espalharam por várias cidades americanas.
Conflito entre versões oficiais sobre o ocorrido
Enquanto a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que Pretti havia atacado agentes durante uma operação de imigração, autoridades locais apresentam uma narrativa completamente diferente. O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O'Hara, destacou que o homem de 37 anos não possuía antecedentes criminais significativos, apenas infrações de trânsito, e era um enfermeiro de UTI respeitado na comunidade.
Vídeos verificados pela agência Reuters mostram cenas perturbadoras: Pretti aparece segurando um telefone celular, não uma arma, enquanto tenta ajudar manifestantes que foram derrubados por agentes federais. Nas imagens, é possível observar agentes usando spray de pimenta contra ele, imobilizando-o no chão e, momentos depois, efetuando os disparos fatais.
Autoridades federais e estaduais em rota de colisão
O incidente exacerbou as já existentes tensões entre o governo federal e autoridades estaduais de Minnesota. O governador Tim Walz foi categórico ao questionar a versão federal: "Eu vi o vídeo de vários ângulos e é nojento", declarou, acrescentando que o estado assumiria a investigação por não confiar na liderança federal.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, fez um apelo emocionado pelo fim das operações de imigração: "Quantos moradores mais, quantos americanos mais precisam morrer ou se machucar gravemente para que essa operação termine?". Em resposta, o presidente Trump acusou autoridades locais de incitar insurreição através de sua retórica.
Protestos se espalham e instituições fecham por segurança
O tiroteio desencadeou manifestações intensas em Minneapolis, onde centenas de pessoas confrontaram agentes armados e mascarados que utilizaram gás lacrimogêneo e granadas de luz. Os protestos ecoaram em outras grandes cidades americanas, incluindo Nova York, Washington D.C. e São Francisco.
Preocupadas com a segurança, instituições locais tomaram medidas preventivas. O Instituto de Arte de Minneapolis anunciou seu fechamento temporário, enquanto a NBA adiou um jogo do Minnesota Timberwolves. A situação só começou a se acalmar no final de sábado, após a retirada dos agentes federais da área, embora manifestantes tenham permanecido nas ruas por horas.
Contexto político ampliado e investigações em andamento
Este é o segundo incidente do tipo neste mês, seguindo a morte da cidadã americana Renee Good em 7 de janeiro, o que aumenta a pressão sobre as políticas de imigração da administração Trump. O vice-presidente JD Vance visitou Minneapolis na quinta-feira anterior ao incidente e acusou líderes locais de negar apoio policial aos agentes federais, alegação que foi veementemente rebatida pelo governador Walz.
Enquanto o Departamento de Segurança Interna caracteriza o episódio como um ataque onde um agente agiu em legítima defesa, autoridades locais continuam coletando evidências e testemunhos. O chefe do Departamento de Apreensão Criminal de Minnesota, Drew Evans, revelou que agentes federais bloquearam tentativas iniciais de investigação por parte de sua equipe, aumentando as suspeitas sobre a transparência do processo.