Governo Trump afasta agentes federais após morte de enfermeiro em protesto em Minneapolis
O governo dos Estados Unidos, sob a administração do presidente Donald Trump, decidiu afastar dois agentes federais envolvidos na morte do enfermeiro Alex Pretti durante um protesto em Minneapolis. A investigação sobre o caso, que inicialmente estava a cargo da Divisão de Investigações do Departamento de Segurança Interna (DHS), foi transferida para o Federal Bureau of Investigation (FBI). A medida foi confirmada pela porta-voz do DHS, Tricia McLaughlin, em entrevista à emissora americana CBS na última sexta-feira (30).
Mudança na liderança da investigação
A decisão de colocar o DHS na liderança da investigação inicialmente foi considerada incomum por autoridades policiais federais. Esses especialistas argumentavam que o órgão normalmente não possui a estrutura necessária para lidar com casos complexos como tiroteios envolvendo policiais. Elementos essenciais, como análise balística, perícia forense, exame de armas de fogo, revisão de vídeos e busca de testemunhas em larga escala, exigem expertise específica que o FBI tradicionalmente oferece.
O Departamento de Segurança Interna, comandado por Kristi Noem – frequentemente chamada de Barbie do ICE –, tem enfrentado críticas significativas devido à truculência em operações contra imigrantes. As duas mortes ocorridas em Minneapolis, incluindo a de Alex Pretti, intensificaram esses questionamentos sobre a atuação da agência.
Declarações polêmicas de Donald Trump
O presidente Donald Trump se manifestou sobre o caso em seu perfil na rede social Truth Social na quinta-feira (28), após a divulgação de um vídeo que mostra Alex Pretti envolvido em uma briga com agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) onze dias antes de sua morte. Na publicação, Trump descreveu Pretti como agitador e, talvez, insurgente, afirmando que a reputação do enfermeiro caiu drasticamente com as novas imagens.
O presidente destacou a conduta do agente do ICE, que estava calmo e tranquilo, e encerrou a mensagem com seu slogan político Make America Great Again. As declarações geraram controvérsia, especialmente entre grupos de direitos humanos e ativistas que defendem uma investigação imparcial sobre a morte de Pretti.
Detalhes do incidente e contexto dos protestos
Alex Pretti foi morto a tiros por agentes da Patrulha da Fronteira em Minneapolis no sábado (24), durante uma ampla manifestação contra a operação anti-imigração do governo Trump na cidade. Testemunhas relataram que o enfermeiro, que atendia em uma clínica comunitária, foi para as ruas intervir em uma batida do ICE para proteger pacientes. Os agentes imobilizaram Pretti no chão e abriram fogo quando perceberam que ele portava uma arma em sua cintura, disparando mais de dez vezes contra ele.
O vídeo divulgado recentemente mostra uma briga ocorrida em 13 de janeiro, durante um protesto contra a operação anti-imigração. Nas imagens, Pretti é visto chutando a lanterna traseira de um veículo do ICE, gritando palavrões e sendo agredido por agentes. Embora um objeto semelhante a uma arma apareça em sua cintura em determinado momento, o vídeo não mostra o enfermeiro tentando pegá-la, levantando dúvidas sobre a narrativa oficial.
Repercussões e tensões em Minneapolis
A morte de Alex Pretti ocorreu em um contexto de elevadas tensões em Minneapolis, onde a comunidade local tem protestado contra a Operation Metro Surge, uma ofensiva de deportações iniciada em dezembro de 2025. A operação ganhou atenção nacional após a morte da cidadã norte-americana Renee Nicole Good, baleada por um agente de imigração em 7 de janeiro.
Os protestos em massa, realizados mesmo sob temperaturas negativas, levaram a greves de professores, fechamento de escolas e ações judiciais do estado de Minnesota contra o governo federal. Autoridades locais, como o prefeito Jacob Frey e o governador Tim Walz, exigiram a saída do ICE da cidade, enquanto o governo Trump anunciou planos para desescalar a situação e reduzir a presença de agentes no estado.
A remoção do chefe da operação anti-imigração, Gregory Bovino, e a transferência da investigação para o FBI refletem a pressão crescente por transparência e responsabilidade. O caso continua a gerar debates sobre imigração, uso da força policial e direitos civis nos Estados Unidos.