Agentes do ICE afastados após morte de americano em Minneapolis
Dois agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) envolvidos na morte do enfermeiro americano Alex Pretti, de 37 anos, foram afastados de suas funções. A informação foi confirmada por um porta-voz do ICE ao jornal britânico The Guardian nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026.
O porta-voz afirmou que os agentes estão em licença administrativa, medida que faz parte do protocolo padrão da agência em casos como este. A decisão ocorre em um contexto de intensos protestos anti-ICE em Minnesota, estado onde fica a cidade de Minneapolis.
Detalhes do incidente que levou à morte de Alex Pretti
Alex Pretti foi morto no sábado, 24 de janeiro, na zona sul de Minneapolis. De acordo com gravações disponíveis, ele aparecia segurando apenas um celular no momento do ocorrido. Pretti tinha porte legal de arma e estava com uma arma no coldre em sua calça, mas não se movimentou para sacá-la, conforme indicam os vídeos.
Testemunhas relatam que um agente tirou a pistola de Pretti, que já estava imobilizado, enquanto outro atirou dez vezes à queima-roupa contra ele. O caso gerou revolta na comunidade local e chamou a atenção nacional.
Outra morte recente envolvendo agentes do ICE em Minneapolis
Semanas antes, a poetisa americana Renee Nicole Good, também de 37 anos, foi morta após ser baleada na cabeça por um agente durante uma blitz em Minneapolis. Ela dirigia por um bairro residencial ao sul do centro da cidade, a apenas 1,6 km de onde George Floyd foi assassinado em maio de 2020.
Em vídeos do incidente, é possível ver que Good acelera o carro quando agentes se aproximam de maneira agressiva. Um deles, então, saca uma arma e dispara através da janela, que estava abaixada, na direção do rosto da mulher.
Resposta do governo Trump e controvérsias
Em ambos os casos, o governo do então presidente Donald Trump atribuiu as mortes a terrorismo doméstico. O Departamento de Segurança Interna (DHS) alegou que Good tentou atropelar os agentes, o que teria levado a uma ação em legítima defesa. Já Pretti teria colocado os agentes em risco.
Essas versões são contestadas por testemunhas, famílias das vítimas e milhares de moradores de Minnesota, que questionam a conduta dos agentes e a narrativa oficial.
Protestos e medidas adicionais
Os protestos em Minnesota ganharam força após as mortes, com críticas à Operação Metro Surge, que mobilizou mais de 3.000 agentes do ICE na região. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, anunciou nesta terça-feira, 27 de janeiro, que alguns agentes federais deixarão a cidade, embora não tenha especificado quantos.
Além disso, Gregory Bovino, chefe da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos, foi afastado das operações em Minneapolis após usar um casaco comparado a uniformes nazistas. Ele retornará ao posto de controle de fronteira em El Centro, na Califórnia.
A situação reflete tensões contínuas sobre imigração e segurança nos Estados Unidos, com debates acalorados sobre o papel de agências federais como o ICE.