Fundo Hans 95 da Reag rende 139.999.900% em seis anos, ligado a investigação do PCC
Fundo Hans 95 rende 139.999.900% e é investigado por ligação ao PCC

Fundo Hans 95 da Reag rende 139.999.900% em seis anos e é alvo de investigação do PCC

Um fundo de investimento administrado pela Reag, o Hans 95, apresentou uma valorização extraordinária de 139.999.900% entre 2019 e 2025, saltando de R$ 1.000 para R$ 1,4 bilhão. Os dados, consultados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), revelam um desempenho financeiro que chama a atenção do mercado e das autoridades, especialmente porque o fundo está na mira da Operação Carbono Oculto, que investiga fraudes ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Trajetória de valorização impressionante e discrepâncias nos investimentos

A maior alta anual ocorreu em 2019, quando o valor da cota subiu de R$ 1.000 para R$ 70,7 milhões, representando um aumento de 7.073.900% em apenas 12 meses. As demonstrações financeiras disponíveis na CVM, que vão até 31 de dezembro de 2021, mostram um patrimônio líquido de R$ 3 bilhões, com 86,9% alocado em fundos multimercados.

No entanto, essa alocação levanta questões, pois a rentabilidade média dos fundos multimercados, segundo o Índice de Hedge Funds (IHFA) da Anbima, teve alta de 494% entre julho de 2009 e janeiro de 2026, muito abaixo dos ganhos astronômicos do Hans 95. Essa discrepância sugere que outros fatores podem estar influenciando os retornos, alimentando suspeitas de irregularidades.

Investigações e conexões com o Banco Master

O fundo Hans 95 está diretamente envolvido na Operação Carbono Oculto, que apura esquemas de lavagem de dinheiro do PCC, uma facção criminosa com base em São Paulo. Dados da Elos Ayta Consultoria, enviados nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, indicam que o fundo possuía R$ 123 milhões em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) do Banco Master em 2024, reforçando os laços financeiros sob escrutínio.

A defesa de Daniel Vorcaro, em nota, afirma que o Banco Master não administra o fundo nem participa de suas decisões de investimento, mas essa conexão continua sendo um ponto crucial nas investigações. A Reag, procurada para comentários, não retornou o contato, deixando dúvidas sobre a gestão e transparência do fundo.

Implicações para o mercado e a justiça

Este caso destaca os riscos de fraudes financeiras em fundos de alto rendimento e a importância da fiscalização por órgãos como a CVM e a Polícia Federal. A valorização extrema do Hans 95, combinada com suas ligações a investigações criminais, serve como um alerta para investidores e reguladores sobre a necessidade de maior controle e transparência no setor.

  • Valorização de 139.999.900% em seis anos, de R$ 1.000 para R$ 1,4 bilhão.
  • Maior alta anual em 2019: 7.073.900%, de R$ 1.000 para R$ 70,7 milhões.
  • Patrimônio líquido de R$ 3 bilhões em 2021, com 86,9% em fundos multimercados.
  • Investigação na Operação Carbono Oculto por lavagem de dinheiro do PCC.
  • Conexões com o Banco Master, incluindo R$ 123 milhões em CDBs em 2024.

À medida que as investigações avançam, o caso do fundo Hans 95 promete continuar gerando debates sobre ética, regulamentação e segurança no mercado financeiro brasileiro.