Trio é preso em Piracicaba por golpes digitais com dados do gov.br
A Polícia Civil de Lucas do Rio Verde (MT) prendeu três pessoas em Piracicaba (SP) suspeitas de aplicar golpes na internet, envolvendo fraudes em compras e transferências de veículos. A operação, denominada CyberCombat, ocorreu no dia 21 de janeiro e cumpriu nove ordens judiciais contra um grupo criminoso especializado em crimes de fraude eletrônica, invasão de dispositivos e falsidade ideológica.
Detalhes da investigação
Segundo a polícia, a investigação teve início após uma vítima ter sua conta do gov.br invadida, ocasião em que seus dados pessoais foram subtraídos e utilizados de forma fraudulenta para o financiamento de veículos em concessionárias, bem como para a criação de contas e registros em seu nome, sem autorização. Um procurador de Justiça do Ministério Público do Mato Grosso chegou a ter os dados acessados pelos criminosos, mas não caiu no golpe.
O delegado responsável pela investigação, Breno Houly, não descartou a possibilidade de envolvimento de agentes públicos no esquema. "Acreditamos que ainda tenham alguns funcionários públicos, de alguns órgãos, que ajudavam a legalizar esses veículos, que depois eram transferidos para outras cidades. Mas, essa suposta participação de agentes públicos ainda será investigada e aprofundada", esclarece o delegado.
Suspeitos e apreensões
Os presos são o casal Augusto Taques e Tamires Violin Taques, de 28 e 27 anos, e o cunhado Guilherme Violin, de 21 anos. Eles foram detidos preventivamente e, durante a operação, foram apreendidos celulares, computadores, chips de telefonia e HDs em imóveis nos bairros Jardim Alvorada e Nova América em Piracicaba.
Em um único celular apreendido, a polícia estima fraudes com dados de, ao menos, 50 vítimas. "Temos várias vítimas. Algumas delas, nem perceberam que foram lesadas. No Mato Grosso, foram listadas cerca de 40 vítimas. Aparentemente, há vítimas também em São Paulo", completou a autoridade policial.
Funcionamento do golpe
Os criminosos acessavam contas das vítimas no gov.br, usavam e alteravam dados de cadastros em plataformas e aplicativos do governo, que disponibilizam documentos digitais, e financiavam veículos no nome delas. "Com acesso do gov.br, os suspeitos conseguiam fazer pagamentos e transferências. Juntos, atuavam invadindo a conta, alterando a plataforma, a senha, cadastravam chips em nomes de terceiros, criando e-mails falsos", detalhou o delegado.
Alguns dos veículos comprados por meio das fraudes eram revendidos em concessionárias, incluindo uma no bairro Piracicamirim, em Piracicaba, ligada aos investigados.
Posicionamento do governo federal
Consultado, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) informou que o gov.br é uma plataforma "segura, robusta e que simplifica a vida dos cidadãos", reforçando que não há registro de invasões ao aplicativo. A pasta destacou que a plataforma possui mais de 172 milhões de usuários e diversas tecnologias de monitoramento para garantir a segurança.
Em caso de desconfiança de fraude, o ministério ressalta a importância do registro de um Boletim de Ocorrência para possibilitar a devida investigação policial.
Dicas de segurança
Para evitar golpes de engenharia social, o MGI orienta os usuários a:
- Não compartilhar a senha do gov.br, tratando-a com a mesma importância de uma senha bancária.
- Subir o nível da conta para Ouro, que utiliza biometria facial com base nos dados da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) e da Justiça Federal.
- Utilizar a ferramenta de Verificação em Duas Etapas para evitar golpes de phishing.
- Gerenciar dispositivos para identificar o local e o dispositivo utilizado para acessar a conta.
A operação CyberCombat visa combater crimes de fraude eletrônica, invasão de dispositivo eletrônico, falsidade ideológica e associação criminosa, com ações coordenadas entre polícias de Piracicaba e Mato Grosso.