Golpe no WhatsApp usa nome da Receita Federal para aplicar golpes via PIX
Circulam no WhatsApp mensagens falsas em nome da Receita Federal que alertam sobre irregularidades no Cadastro de Pessoa Física (CPF) e oferecem links para regularização e pagamento de dívidas. É #FAKE. As mensagens, que chegam inclusive de números com origem em outros países como o Reino Unido, exibem logotipos oficiais da Receita e do governo federal, aumentando o risco de golpes financeiros via PIX.
Como funcionam as mensagens falsas
As mensagens contêm o nome e CPF dos destinatários, criando uma aparência de legitimidade. Elas apresentam alertas de dívidas de impostos e ameaças severas, tais como:
- Bloqueio de contas bancárias e cartões
- Restrições no Banco Central e SERASA
- Suspensão do Bolsa Família
- Aplicação de multas automáticas de até 150%
Uma das versões imita até mesmo a assinatura do secretário especial da Receita Federal, Robinson Sakiyama Barreirinhas. Os links fornecidos, como https://receitafederal.regularizeagora.org/ e https://consulte-aqui.com/, levam a páginas que copiam a identidade visual do governo federal.
O passo a passo do golpe
Ao clicar nos links, as vítimas são direcionadas para sites que alegam a existência de processos judiciais e pendências tributárias. Essas páginas exigem o preenchimento de formulários com e-mail e telefone – dados que podem ser usados em futuros golpes – e fornecem um código PIX para pagamento. O valor citado é de R$ 419, com desconto para R$ 138. O dinheiro é enviado para uma intermediadora de pagamentos que não revela o destinatário final.
Por que é mentira
A assessoria de imprensa da Receita Federal já desmentiu essas mensagens, destacando que:
- A Receita não exige ação imediata e não envia mensagens com prazos curtos – urgência é um sinal claro de golpe.
- Não solicita pagamentos por aplicativos de mensagem nem envia links externos ou boletos por esses meios.
- Sites oficiais sempre terminam em gov.br – endereços estranhos são falsos.
- Pendências reais só aparecem no e-CAC, acessado pelo site oficial da Receita Federal digitado diretamente no navegador.
Em novembro de 2025, o Fato ou Fake já havia publicado uma checagem semelhante sobre mensagens que cobravam pagamentos da Dívida Ativa com a União. Na ocasião, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) afirmou que:
- Não reconhece endereços como regularize.combr.is/ como oficiais.
- Não entra em contato por WhatsApp ou Telegram, somente por SMS com remetente 29347.
- Não envia dados pessoais como CPF, nome ou valor da dívida por e-mail ou SMS.
- O único meio oficial para informações sobre débitos é regularize.pgfn.gov.br, acessado com login do gov.br.
Eduardo Sadalla Bucci, coordenador-geral da Dívida Ativa da União e do FGTS, reforçou que em nenhuma hipótese há cancelamento de PIX ou constrições sem decisão judicial, garantindo o devido processo legal aos contribuintes.
Como se proteger
Para evitar cair nesses golpes, a Receita Federal e a PGFN recomendam:
- Nunca clique em links suspeitos recebidos por mensagens.
- Acesse sempre os portais oficiais, como o da Receita Federal e o regularize.pgfn.gov.br, digitando os endereços diretamente no navegador.
- Desconfie de mensagens com urgência, ameaças ou promessas de descontos.
- Em caso de dúvida, consulte os canais oficiais de atendimento.
Leitores podem enviar prints de mensagens suspeitas ao WhatsApp do Fato ou Fake: +55 (21) 97305-9827. Após adicionar o número, envie uma saudação para se inscrever e contribuir com as checagens.