Golpe da 'Dívida Ativa da União' volta a circular no WhatsApp; autoridades alertam
Golpe da 'Dívida Ativa da União' no WhatsApp; é fake

Golpe da 'Dívida Ativa da União' volta a circular no WhatsApp; autoridades alertam

Uma nova onda de mensagens fraudulentas está circulando no WhatsApp, simulando cobranças da chamada "Dívida Ativa da União" vinculada ao Cadastro de Pessoa Física (CPF). As autoridades confirmam que se trata de um golpe, e os cidadãos devem ficar atentos aos sinais de fraude.

Como funciona o golpe

As mensagens chegam aos usuários exibindo o nome e o CPF do destinatário, induzindo a vítima a acreditar que se trata de um alerta autêntico da Receita Federal. O texto afirma:

"ASSUNTO: Ação de Cobrança da Dívida Ativa vinculada ao seu CPF - Prezado(a) Contribuinte [cita o nome], CPF: [cita o CPF] Constam pendências em seu nome inscritas na Dívida Ativa da União. A falta de regularização pode levar ao bloqueio de valores em suas contas bancárias correspondentes com o débito. O programa Regularize do Governo Federal permite que você negocie seus débitos com benefícios, como descontos de até 65 por cento. Acesse o portal oficial e consulte seus débitos: https://portalbeneficbr.com/site-receita/consulta.html. Você pode acompanhar o status usando o link acima."

O site apresentado é enganoso e não corresponde a nenhum canal oficial da Receita Federal. A página usa frases imediatistas, como "o prazo final é hoje", e faz ameaças de bloqueio bancário e restrição de crédito para causar pânico.

Passo a passo da fraude

  1. Ao clicar no link, o usuário é direcionado a um site que imita o da Receita Federal.
  2. Uma caixa de texto no topo diz: "AVISO URGENTE! Após cruzamento de dados das suas declarações do Imposto de Renda dos anos de 2019, 2020 e 2021, foi identificada uma pendência tributária em sua situação fiscal".
  3. A página alega que existe uma dívida de R$ 419,55 vinculada ao CPF, com ameaças de multa adicional de R$ 1.985, bloqueio bancário e do CPF, e restrição de crédito caso não seja paga.
  4. Há um botão que diz "regularize agora", que leva a um chat com uma suposta auditora da Receita Fiscal, repetindo as mesmas ameaças.
  5. Por fim, a vítima é induzida a fazer um PIX de R$ 138,45 para uma intermediadora de pagamentos, sem clareza sobre o destinatário final.

Autoridades desmentem e alertam

Procuradas pelo Fato ou Fake, as assessorias de imprensa da Receita Federal e do Ministério da Fazenda enviaram links de textos desmentindo as mensagens. Eles destacam que:

  • A Receita Federal não envia mensagens com prazos curtos e nunca exige ação imediata. Urgência é sinal de golpe.
  • A Receita não solicita pagamentos por aplicativos de mensagem, nem envia links externos ou boletos por esses meios.
  • Sites que imitam o gov.br, mas usam links estranhos, são falsos. Endereços oficiais sempre terminam em gov.br.
  • Pendências e débitos reais só aparecem no e-CAC, acessado pelo site oficial da Receita Federal digitado diretamente no navegador.
  • O canal oficial da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) é o portal regularize.pgfn.gov.br, onde cidadãos podem consultar, negociar e pagar débitos com a União.

O que é dívida ativa?

Em entrevista ao Fato ou Fake, o coordenador-geral da Dívida Ativa da União e do FGTS, Eduardo Sadalla Bucci, explicou que dívida ativa é um débito não pago ao governo federal, como Imposto de Renda, contribuições e multas. Quando vence o prazo de pagamento, o débito é inscrito para cobrança pela PGFN.

Bucci esclareceu que a PGFN não cancela PIX ou bloqueia bens, como mencionado na mensagem falsa: "Em nenhuma hipótese, de nenhum tipo de cobrança, há a possibilidade de cancelamento do seu PIX. Igualmente, nenhum tipo de constrição que não seja autorizada pelo Poder Judiciário vai ser feita. Você não vai perder qualquer tipo de bem, a não ser por uma decisão judicial, em que você será citado, terá oportunidade de ter um advogado e todas as tramitações do devido processo legal."

Histórico e recorrência

Este tipo de golpe não é novo. Em novembro de 2025, o Fato ou Fake publicou uma checagem quase idêntica. No entanto, o conteúdo voltou a viralizar recentemente, com uma nova onda de mensagens detectada na quinta-feira (22). As autoridades reforçam a importância de verificar informações apenas em fontes oficiais e não clicar em links suspeitos.

Para denunciar ou verificar informações, os cidadãos podem usar canais oficiais, como o site da Receita Federal ou o portal da PGFN. A vigilância é essencial para evitar prejuízos financeiros e proteger dados pessoais.