A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, que foi agredido na Praia Brava, em Florianópolis, avança com novos desdobramentos. Além dos adolescentes suspeitos de praticar maus-tratos contra o animal, pais e um tio dos jovens foram indiciados por coação a testemunha, conforme informações da Polícia Civil divulgadas nesta sexta-feira (30).
Adolescentes serão ouvidos na próxima semana
Os adolescentes suspeitos do ato infracional serão ouvidos na próxima semana, acompanhados por seus representantes legais, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A data exata das oitivas ainda será marcada, e os jovens terão direito à presença de um advogado, caso desejem.
Dois dos investigados estavam fora do país e retornaram ao Brasil na quinta-feira (29), quando a polícia cumpriu mandados de busca e apreendeu celulares e roupas. Um dos quatro adolescentes inicialmente identificados já foi ouvido e negou participação no crime, alegando que não estava na praia no momento das agressões.
Sigilo absoluto e desafios na investigação
Os nomes, idades e localização dos suspeitos não foram divulgados, pois o ECA prevê sigilo absoluto em procedimentos envolvendo menores de 18 anos. A Polícia Civil enfrenta desafios, como a ausência de imagens diretas do espancamento, mas analisa quase mil horas de gravações de câmeras de segurança da região.
Um relatório complementar está sendo elaborado para ajudar na elucidação do caso. A polícia também aguarda o melhoramento de imagens pela Polícia Científica, permitindo comparações faciais entre suspeitos e pessoas que aparecem nos vídeos. A extração de dados dos telefones celulares deve esclarecer lacunas na investigação.
Outras investigações em andamento
Os adolescentes também são investigados por possível participação em outros atos ilícitos ocorridos na região neste mês, incluindo furto de bebida alcoólica, danos ao patrimônio e perturbação de sossego. Essas apurações serão separadas em autos próprios, conforme a Polícia Civil.
O delegado Renan Balbino, da Delegacia Especializada de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE), destacou que se trata de um grupo grande de adolescentes, com muitas pessoas aparecendo nos vídeos disponíveis. Ele também esclareceu que os suspeitos do caso do cão Caramelo, que sofreu tentativa de afogamento, não são os mesmos envolvidos nas agressões a Orelha.
Quem era Orelha e a reação da comunidade
Orelha era um dos cães comunitários da Praia Brava, que contava com três casinhas para os animais mascotes da região. O aposentado Mário Rogério Prestes, responsável por alimentá-los diariamente, lamentou a perda. O caso gerou comoção nacional, com famosos e internautas usando a hashtag #JustiçaPorOrelha nas redes sociais para protestar e homenagear o animal.
As agressões ocorreram no início do mês, mas chegaram ao conhecimento da polícia em 16 de janeiro. O cão foi encontrado agonizando por pessoas no local, levado a uma clínica veterinária, mas morreu devido à gravidade dos ferimentos. A justiça já determinou a exclusão de conteúdos que identifiquem os suspeitos, e um artista criou um desenho de 40 metros em homenagem a Orelha.