Morte de cão comunitário Orelha causa comoção e mobiliza protestos em Florianópolis
A morte do cachorro comunitário conhecido como Orelha, um animal de aproximadamente 10 anos que era querido pelos moradores da Praia Brava, no Norte de Florianópolis, tem gerado uma onda de comoção e mobilização em Santa Catarina. O caso, que envolve agressões fatais ao animal, tem reunido moradores, organizações de proteção animal, celebridades e autoridades públicas em busca de justiça. A Polícia Civil já identificou pelo menos quatro adolescentes como suspeitos de envolvimento nas agressões que levaram à morte do cão.
O que aconteceu com Orelha?
Segundo relatos de moradores locais, Orelha havia desaparecido por alguns dias. Posteriormente, uma das pessoas que cuidavam do animal, durante uma caminhada, encontrou-o caído e agonizando. Ela recolheu o cão e o levou imediatamente a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade dos ferimentos, não houve alternativa além da eutanásia. Em entrevista à NSC TV, o empresário e morador da região, Silvio Gasperin, emocionou-se ao descrever os acontecimentos: “A Fátima ficou sabendo, mas não encontrou ele de imediato. Em uma caminhada, achou ele jogado e agonizando. Recolheu, levou ao veterinário… precisa de justiça, né?”. A situação entristeceu profundamente a comunidade, que via Orelha como parte integrante do cotidiano local.
Quem era Orelha e seu papel na comunidade
Orelha era um dos cães mascotes da Praia Brava, uma região que conta com três casinhas destinadas a esses animais comunitários. O aposentado Mário Rogério Prestes, responsável por alimentá-los diariamente, destacou: “Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado”. Além de conviver harmoniosamente com os moradores, Orelha interagia com outros cães do bairro, como relatou a empresária Antônia Souza, tutora da cadela Cristal: “Eles conviviam com a gente. Eles tinham uma vida na Praia Brava. Todo mundo que mora aqui, ou vem com frequência, sabe de quem estamos falando: os ‘pretinhos’”. Em nota, a Associação de Moradores da Praia Brava enfatizou o papel afetivo e simbólico de Orelha, descrevendo-o como um elemento querido da convivência comunitária.
Identificação dos suspeitos e andamento das investigações
A Polícia Civil localizou pelo menos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento nas agressões, após análise de câmeras de segurança e depoimentos de moradores. A delegada Mardjoli Valcareggi, responsável pela investigação, afirmou que todos os possíveis envolvidos já foram identificados e que o caso segue em andamento. Além disso, está sendo investigada a informação de que um policial civil, pai de um dos suspeitos, teria coagido uma testemunha, embora a delegada tenha negado qualquer envolvimento direto de policiais no crime. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou que a investigação está sendo acompanhada pela 10ª Promotoria de Justiça da Capital (Infância e Juventude) e pela 32ª Promotoria de Justiça da Capital (Meio Ambiente), com diversas pessoas já ouvidas e novas oitivas previstas.
Mobilização e protestos em busca de justiça
Desde a morte de Orelha, tem havido uma intensa mobilização por parte de moradores, protetores independentes, ONGs e institutos ligados à causa animal. Dois protestos foram realizados na Praia Brava, nos sábados 17 e 24, reunindo dezenas de participantes que vestiam camisetas personalizadas e seguravam cartazes com frases como “Justiça Por Orelha”. Os manifestantes caminharam acompanhados de seus próprios cães e fizeram uma oração em homenagem ao animal. A mobilização também ganhou força nas redes sociais, com a hashtag #JustiçaPorOrelha sendo amplamente compartilhada, inclusive por celebridades como as atrizes Heloísa Périssé e Paula Burlamaqui, que publicaram vídeos cobrando providências das autoridades.
Posicionamento das autoridades e próximos passos
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), manifestou-se nas redes sociais, afirmando que a investigação segue em andamento e que o caso foi redistribuído após a juíza inicial se declarar impedida. Ele escreveu: “A nossa Polícia Civil fez diligências, colheu provas e solicitou à Justiça mandados alguns dias após o início da investigação. As provas já estão no processo e me embrulharam o estômago”. Com a conclusão do inquérito policial, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público para análise e adoção das providências legais cabíveis. Quando há possível participação de adolescentes, como neste caso, as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) são aplicadas, garantindo procedimentos específicos para a faixa etária.