Polêmica nos EUA: Ex-governadora Kristi Noem admite ter matado cachorra e bode
A política republicana Kristi Noem, frequentemente apelidada por críticos como 'Barbie do ICE', está no centro de uma intensa controvérsia nos Estados Unidos após admitir publicamente ter matado a tiros sua própria cachorra de estimação. A revelação, que veio à tona em 2024 através de seu livro "No Going Back: The Truth on What's Wrong with Politics and How We Move America Forward", gerou uma onda de indignação e debate sobre ética e comportamento político.
O episódio da cachorra Cricket
Noem descreveu em detalhes o momento em que levou sua cachorra, chamada Cricket, para um poço de cascalho e executou o animal com um tiro. A ex-governadora de Dakota do Sul justificou a ação alegando que o cão era "intreinável" e "perigoso", chegando a afirmar: "Eu odiava aquela cachorra". Segundo seu relato, a decisão foi tomada após a cadela arruinar uma caçada e atacar galinhas de vizinhos, sendo classificada por Noem como "menos que inútil".
O impacto familiar do ato ficou evidente quando a filha de Noem, Kennedy, chegou da escola e perguntou confusa: "Ei, onde está Cricket?". A ausência do animal deixou marcas na dinâmica doméstica, evidenciando as consequências emocionais de tal decisão.
A morte do bode sem nome
No mesmo dia, Kristi Noem também decidiu matar um bode de sua fazenda, descrevendo-o como "desagradável e malvado", fedorento e com tendência a perseguir seus filhos. O animal, que sequer tinha um nome, foi ferido com um primeiro tiro mas conseguiu escapar, exigindo um segundo disparo para ser abatido. A republicana usou o episódio para defender sua capacidade de tomar decisões difíceis, argumentando que essa postura se reflete em sua atuação política.
Repercussão política e críticas
A revelação foi recebida com forte repúdio por parte do Partido Democrata, que classificou o relato como "perturbador e horrível". Democratas pediram publicamente que eleitores rejeitem políticos que se gabam de matar animais de estimação, elevando o caso a uma questão de caráter e valores públicos.
Além disso, Noem já havia gerado polêmica ao sugerir que o cachorro do presidente Joe Biden, Commander, deveria ser sacrificado após alegados ataques a agentes do Serviço Secreto. A então porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, respondeu classificando os comentários como "preocupantes e absurdos", destacando que "este é um país que ama os cães".
A defesa de Noem e o apelido 'Barbie do ICE'
Kristi Noem defendeu sua postura em redes sociais, argumentando que decisões difíceis são comuns em ambientes rurais e fazendas. Ela afirmou ter abatido outros animais anteriormente e declarou não se arrepender de ter incluído o relato em seu livro, posicionando-o como uma demonstração de força e determinação.
O apelido 'Barbie do ICE' surgiu durante sua gestão como secretária de Segurança Interna dos EUA, quando críticos acusaram-na de buscar glamourizar operações da agência de imigração ICE através de fotos produzidas e aparições públicas ao lado de agentes. A polêmica com os animais se soma a outras controvérsias, como vídeos onde aparece apontando um rifle para a cabeça de um agente e gravações com ameaças a imigrantes em prisões.
Pressão política e futuro incerto
O descontentamento com Kristi Noem tem crescido tanto entre democratas quanto entre setores do próprio Partido Republicano, que pedem sua saída do cargo. As críticas se intensificaram após mortes de civis em ações do ICE sob sua gestão e, agora, com as recentes revelações envolvendo maus-tratos a animais. O caso expõe tensões entre valores rurais tradicionais, ética no tratamento animal e expectativas públicas sobre comportamento de figuras políticas, criando um divisor de águas em sua carreira.