Caso da morte do cachorro Orelha: polícia indicia três por coação de testemunha em Santa Catarina
Em Santa Catarina, a morte trágica de um cachorro conhecido como Orelha transformou-se em um caso policial complexo, envolvendo agressões a animais e supostas intimidações. Os fatos ocorreram entre os dias 3 e 4 de janeiro na Praia Brava, uma área de condomínios de alto padrão localizada em Florianópolis. O animal, que tinha aproximadamente dez anos e era reconhecido por sua docilidade, foi encontrado por moradores em estado crítico, necessitando de eutanásia no dia 5 em um hospital veterinário.
Investigação revela agressões e busca por responsáveis
Um laudo pericial confirmou que Orelha sofreu múltiplas agressões, incluindo uma pancada severa na cabeça, embora o objeto utilizado não tenha sido localizado. A polícia identificou quatro adolescentes como suspeitos de participação no crime, mas suas identidades permanecem sob sigilo devido à menoridade. Dois desses jovens estão atualmente em viagem nos Estados Unidos, complicando as ações legais imediatas.
Nesta terça-feira, dia 27, a Polícia Civil anunciou o indiciamento de dois empresários e um advogado, todos parentes dos adolescentes. Eles são acusados de terem ameaçado um vigilante que testemunhou as agressões ao cachorro Orelha. Como medida de segurança, o vigilante foi afastado de suas funções, destacando os riscos enfrentados por testemunhas em casos sensíveis.
Repercussão social e avanços na investigação
O crime gerou uma onda de revolta nas redes sociais, com grupos mobilizados exigindo justiça para Orelha. Moradores compartilharam histórias emocionantes sobre o animal. "O Orelha era um cachorro tão carinhoso, que a gente ia dar carinho para ele e, na verdade, quem recebia o carinho éramos nós", relatou a arquiteta Carolina Zylan. Já o ambulante Claudio Carvalho expressou: "O que mais a gente quer no momento é que sejam punidas as pessoas que fizeram isso com ele, e que isso sirva de exemplo para que ninguém mais possa fazer isso com animal nenhum".
Além disso, a polícia revelou que o mesmo grupo de adolescentes é suspeito de tentar afogar outro cachorro da comunidade, conhecido como Caramelo, que conseguiu escapar. Em uma operação realizada na segunda-feira, dia 26, foram apreendidos celulares e outros dispositivos eletrônicos em endereços ligados aos adolescentes e seus responsáveis legais. Esses itens passarão por perícia técnica para buscar evidências digitais.
Desafios e próximos passos no inquérito
A delegada Mardjoli Valcareggi, responsável pelo caso, destacou a extensão da investigação: "Nós temos aí uma janela de mais de 72 horas de 14 câmeras de monitoramento, de gravações. Isso significa mais de mil horas para análise". Até o momento, mais de 20 pessoas já foram ouvidas, e as imagens de segurança estão sendo minuciosamente examinadas para reconstruir os eventos e identificar todos os envolvidos.
O caso do cachorro Orelha continua a evoluir, com a polícia focada em garantir que a justiça seja feita, tanto para o animal quanto para a testemunha coagida. As autoridades enfatizam a importância de combater crimes contra animais e proteger aqueles que colaboram com as investigações.