Presidente Epitácio integra roteiro de mergulho de SP com naufrágios históricos
Mergulho turístico no Rio Paraná em Presidente Epitácio (SP)

Quem pensa que a experiência de mergulho está restrita ao litoral precisa conhecer uma novidade do interior de São Paulo. O município de Presidente Epitácio, localizado na região oeste do estado, foi oficialmente incluído no roteiro de mergulhos turísticos do governo paulista. A atividade acontece nas águas do Rio Paraná e oferece uma viagem subaquática pela história.

Uma aventura no rio com seis pontos históricos

O anúncio foi feito pela Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) em suas redes sociais. O mergulhador profissional e instrutor Rodrigo Bomfim, representante da cidade no projeto, detalhou a iniciativa. Seis pontos de mergulho foram homologados no rio, todos envolvendo naufrágios que datam de 1907. "São naufrágios que fizeram parte da navegação e do desenvolvimento do estado paulista", explicou Bomfim.

A experiência é acessível até para quem não sabe nadar. A empresa responsável fornece todo o equipamento de segurança necessário, incluindo roupas especiais, cilindros de oxigênio e máscaras. O passeio dura cerca de uma hora, precedido por aproximadamente 40 minutos de preparação, e ocorre sob monitoramento integral dos instrutores.

Detalhes práticos: custo, profundidade e requisitos

Os valores do passeio variam conforme o tipo de saída. Para mergulhos a partir da orla, o custo é de R$ 350. Já as saídas que utilizam embarcação têm preço de R$ 550. A idade mínima para participar é de 14 anos, desde que com autorização dos pais ou responsáveis.

A profundidade dos pontos de mergulho varia entre oito e 28 metros, adaptando-se ao nível técnico e à habilidade do turista. Para iniciantes ou não nadadores, a recomendação é optar pelos percursos mais rasos. Um dos roteiros indicados para esse público é o chamado "Naufrágios na Frente do Píer".

Um detalhe que chama a atenção dos visitantes é a presença de um cardume com cerca de 300 piranhas em uma das áreas. No entanto, Rodrigo Bomfim tranquiliza: "Elas não atacam não, não é igual filme de terror, pode ficar tranquilo". Para garantir a vaga, é necessário fazer um agendamento com pelo menos um dia de antecedência.

De hobby a projeto pioneiro de turismo

A trajetória que levou Presidente Epitácio ao roteiro oficial começou com o hobby de Rodrigo Bomfim. Ele começou a mapear os pontos de naufrágio no Rio Paraná em 2009, documentando tudo como um projeto pessoal. O sonho era, um dia, montar uma escola de mergulho na cidade.

O projeto ganhou corpo quando a Setur-SP entrou em contato com o município para coletar os materiais e pesquisas que Rodrigo já havia reunido. Após várias fases de estudos, a viabilidade foi confirmada e o roteiro, aprovado. "Foi aprovado. Então, eu resolvi montar a escola de mergulho", contou o mergulhador, que já prestava serviços de retirada de embarcações desde 2009.

Segundo Bomfim, o projeto do governo de SP, que inclui três cidades do interior com rios, é pioneiro no estado. "Era feito somente no litoral... Ele é pioneiro como roteiro de mergulho. Agora tem outros estados que estão copiando a ideia para fomentar o turismo", afirmou.

O estudo para implementação do roteiro teve início em fevereiro de 2025 e segue em andamento, com reuniões mensais entre a equipe local e a Secretaria de Turismo. Os frutos já são visíveis, como a inauguração de uma nova rampa em uma das orlas. "Aqui é o segundo ponto turístico de melhor ponto de água doce do estado", reforçou o instrutor.

Além dos passeios turísticos, Presidente Epitácio também oferece cursos de formação de mergulhadores, que vão do nível básico até o master (nível 1 de liderança). O projeto já começa a fomentar parcerias com outras cidades e estados, organizando equipes para visitas e intercâmbios, seguindo um modelo similar ao do turismo em Bonito.

Rodrigo Bomfim vê no roteiro uma grande oportunidade. "A partir desse roteiro, é possível fomentar o turismo local", disse, explicando que a cada dois anos os pontos são reavaliados. Se houver adesão, podem ser enriquecidos com novos atrativos subaquáticos, como estátuas ou aeronaves, de acordo com a região.