Jovem de 19 anos é encontrado vivo após 5 dias desaparecido no Pico Paraná
Jovem desaparecido no Pico Paraná é encontrado vivo após 5 dias

Um final feliz marcou a manhã desta segunda-feira, 5 de fevereiro, no Paraná. Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, foi encontrado com vida após passar cinco dias desaparecido na região do Pico Paraná, o ponto mais alto do Sul do Brasil, com 1.877 metros de altitude. O jovem, que havia sumido durante uma trilha no dia 1º de fevereiro, conseguiu caminhar sozinho cerca de 20 quilômetros até uma fazenda no litoral do estado, onde pediu ajuda e contatou a família.

Uma aventura que terminou em desespero

A jornada de Roberto começou com um plano inspirador: ver o primeiro nascer do sol de 2026 do topo do Pico Paraná. Ele iniciou a trilha no dia 31 de dezembro, acompanhado de uma amiga. A subida, considerada de dificuldade alta e com duração média de seis horas, foi concluída, e o grupo descansou no cume, onde encontrou outros montanhistas.

O problema começou na descida, na manhã do dia 1º. Por volta das 6h30, Roberto e a amiga desciam com um dos grupos quando, em um ponto antes do acampamento base, o jovem se separou dos companheiros. Relatos indicam que ele já não se sentia bem. Momentos depois, quando outro grupo passou pelo local onde ele teria ficado, Roberto já não estava mais lá.

O analista jurídico Fabio Sieg Martins, que estava em um dos grupos, foi quem acionou os bombeiros ao chegar ao acampamento A1 e perceber que o rapaz estava desaparecido. "Aí bateu o desespero", contou Martins, detalhando que fez a ligação para o Corpo de Bombeiros no primeiro ponto da trilha com sinal de celular.

Operação de busca massiva na montanha

A partir das 13h45 do próprio dia 1º, uma grande operação foi deflagrada. Mais de 500 pessoas se mobilizaram nas buscas, incluindo equipes especializadas do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST) do Corpo de Bombeiros, voluntários, montanhistas do Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo) e corredores de montanha do Clube Paranaense de Montanhismo (CPM).

Os esforços empregaram tecnologia e técnicas variadas. Drones com câmeras térmicas sobrevoaram a área, enquanto equipes faziam buscas a pé e com rapel em trechos mais difíceis. A investigação da Polícia Civil também foi acionada após a família, que mora em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, registrar um Boletim de Ocorrência.

As buscas se estenderam por cinco dias, com uma dificuldade adicional: os bombeiros desconfiavam que o jovem estava vivo e em movimento, o que fazia com que as varreduras precisassem repetir locais. Na manhã desta segunda-feira, horas antes do desfecho, essa suspeita se confirmou.

O resgate e os próximos passos

Roberto conseguiu se salvar por seus próprios meios. Ele caminhou aproximadamente 20 km através da mata até chegar a uma fazenda na localidade de Cacatu, no município de Antonina, no litoral paranaense. Foi lá que, na manhã de segunda-feira, ele finalmente conseguiu entrar em contato com a família para avisar que estava vivo.

Em um vídeo divulgado pelos familiares, o jovem aparece relatando seu estado. "Estou cheio de roxo no corpo, várias escoriações, não consigo enxergar porque perdi meu óculos, mas estou bem", disse Roberto. Ele foi encaminhado para o hospital de Antonina para avaliação médica e realização de exames.

Agora, as autoridades buscam esclarecer os detalhes do ocorrido. O jovem será ouvido pela polícia para contar sua versão dos fatos. Ainda falta entender o motivo de ele ter passado mal, as circunstâncias exatas do desaparecimento e como conseguiu sobreviver por cinco dias em uma região de mata fechada e relevo acidentado.

O delegado Glaison Lima Rodrigues, que colheu depoimentos da amiga de Roberto e de outros montanhistas, afirmou que, inicialmente, não há indícios de crime, sendo o caso tratado como desaparecimento. A investigação, no entanto, permanece aberta para apurar todos os aspectos deste episódio que mobilizou o estado e terminou com um alívio coletivo.