Corte de 40% na verba do SUS força demissões e redução de leitos em hospital de Teresópolis
Hospital em Teresópolis demite e reduz leitos após corte do SUS

O principal hospital de alta e média complexidade da Região Serrana do Rio de Janeiro, o Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (HCTCO), enfrenta uma crise profunda após um corte drástico no repasse de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida, determinada pela Prefeitura Municipal, vai resultar em demissões em massa e na redução do número de leitos e atendimentos à população.

O corte que paralisa o atendimento

A Prefeitura de Teresópolis propôs uma redução de 40% no valor do contrato de prestação de serviços com o HCTCO, alegando que pagava por leitos ociosos na modalidade pré-paga. No entanto, a direção do hospital rebateu veementemente essa afirmação. Em nota oficial divulgada em conjunto com a Fundação Educacional Serra dos Órgãos (Feso) na última segunda-feira, 5 de agosto, a administração apresentou dados que mostram uma ocupação média entre 90% e 95% ao longo do ano em praticamente todas as especialidades, com exceção da Pediatria.

"Não existe ociosidade de leitos que justifique a redução solicitada pela Secretaria de Saúde", afirmou o hospital no comunicado. Apesar dos argumentos, a redução no repasse já começou a impactar a unidade, que iniciou o processo de dispensa de equipes.

Números da redução: leitos, exames e cirurgias a menos

Os cortes previstos na proposta municipal são severos e devem afetar diretamente a capacidade de resposta do hospital. Confira os principais impactos:

  • 43 leitos de internação serão desativados, reduzindo a capacidade total de 150 para 107 leitos.
  • Redução de 50% na realização de exames de média e alta complexidade.
  • Corte mensal de 126 internações e 76 cirurgias de média complexidade.
  • Diminuição de 11.088 exames de média complexidade e 225 de alta complexidade ao ano.

A diretora-geral do HCTCO, Rosane Rodrigues Costa, alertou que a desmobilização das equipes tornará impossível reconstruir o atendimento no futuro. Ela e o diretor-geral da Feso, Luis Eduardo Possidente Tostes, reforçaram que a medida vai prejudicar transferências, internações e o acesso da população a exames essenciais.

Confronto de versões e uma dívida milionária

Enquanto o hospital pinta um cenário de colapso, o secretário municipal de Saúde, Fábio Gallote, oferece uma visão diferente. Ele confirmou a repactuação do contrato, mas garantiu que não haverá perda no atendimento à população. Gallote explicou que a prefeitura retirou a modalidade de pagamento pré-pago e que a demanda por exames e atendimentos ambulatoriais será absorvida pela rede municipal de saúde.

Em meio ao impasse, o HCTCO revelou um agravante crônico: uma dívida de R$ 123,2 milhões que a Prefeitura de Teresópolis mantém com a unidade. O valor inclui débitos de gestões anteriores e valores referentes aos anos de 2024 e 2025. O hospital ressaltou que, apesar do déficit sistemático, manteve o atendimento inalterado até agora.

Risco para a região serrana

O HCTCO é a principal referência em atendimento de alta e média complexidade via SUS na Região Serrana. A direção do hospital destacou que o único outro hospital contratado na cidade, administrado pela Beneficência Portuguesa, tem atendimento muito limitado, focado apenas em ortopedia e pediatria, e não possui estrutura para absorver a demanda perdida.

O temor é que a redução de capacidade force pacientes a buscarem atendimento em outras cidades, sobrecarregando ainda mais o sistema de saúde do estado do Rio de Janeiro e dificultando o acesso da população de Teresópolis e arredores a cuidados médicos urgentes e especializados.