Impeachment de Casares no São Paulo é improvável; oposição mira renúncia
Impeachment de Casares no São Paulo é visto como difícil

O cenário para um impeachment do presidente Júlio Casares no São Paulo Futebol Clube é considerado extremamente difícil pela oposição dentro do conselho. Fontes ouvidas pela reportagem foram unânimes em afirmar que dificilmente será alcançada a marca de dois terços dos votos necessários para afastar o mandatário.

Votação presencial é obstáculo para oposição

A sessão decisiva está marcada para o dia 14 de janeiro, às 19h, no auditório do Morumbis. A votação será fechada e presencial, formato padrão para processos punitivos. Esse detalhe, no entanto, complica ainda mais a estratégia dos opositores.

A avaliação é que a necessidade de deslocamento até o estádio pode impedir a participação de alguns conselheiros mais idosos ou com mobilidade reduzida. Por isso, o trabalho inicial da oposição não se concentra apenas em convencer aliados de Casares, mas em garantir que sua própria base compareça para votar.

Foco se desloca para pressionar por renúncia

Diante da barreira numérica para o impeachment, o entendimento que ganha força entre os opositores é de que o caminho mais viável, no momento, é forçar a pavimentação para uma renúncia voluntária de Casares.

As investigações que pesam sobre o presidente seguem sem grandes evoluções, mas são graves. Casares é alvo de inquérito policial por supostamente ter recebido R$ 1,5 milhão em dinheiro. Paralelamente, autoridades investigam 35 saques que somam R$ 11 milhões realizados na conta do clube.

Outro escândalo recente envolve Mara Casares, ex-esposa do presidente, e Douglas Schwartzmanm, diretor do São Paulo. Áudios divulgados pelo ge revelaram um suposto esquema entre os dois para desvio de ingressos de shows realizados no Morumbis.

Pressão interna e resistência

O turbilhão de acusações já levou aliados políticos a recomendarem a Casares que renuncie. O presidente, no entanto, enxerga esse gesto como uma forma de "aceitar as acusações" e, por enquanto, resiste.

Um sinal dessa resistência veio de uma reunião do Conselho Consultivo, que incluiu ex-presidentes e figuras políticas de alto escalão, realizada na última terça-feira (06). O encontro, que contou até com um conselho de Carlos Miguel Aidar, recomendou ao mandatário que não renunciasse. Nos bastidores, Casares repete que não pretende abandonar o cargo.

Enquanto isso, a oposição segue contando os votos e buscando alternativas para uma saída que parece mais política do que jurídica, pelo menos até a data marcada para a votação no conselho.