Paralisia no atendimento veterinário público deixa tutores em situação crítica
Uma paralisação de funcionários terceirizados provocou a suspensão de atendimentos no Hospital Veterinário Universitário (HVU) da Universidade Federal do Piauí (UFPI), nesta sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, em Teresina. A medida afetou diretamente a rotina da unidade, que é uma referência em saúde animal na região.
Serviços essenciais interrompidos e impacto imediato
Com a paralisação, exames eletivos e de urgência foram cancelados, e novas internações deixaram de ser realizadas. O hospital passou a operar em regime de emergência, realizando apenas triagem e encaminhando os animais para clínicas particulares. Essa situação gerou um cenário de instabilidade para tutores que dependem do serviço público veterinário.
Em nota oficial, a UFPI esclareceu que a empresa responsável pelos serviços de tratador de animais não está cumprindo suas obrigações trabalhistas. Os salários e o vale-alimentação dos colaboradores estão atrasados desde o quinto dia útil de janeiro de 2026. A universidade informou que já iniciou um processo administrativo para substituir a empresa contratada.
Relato emocionante de tutora reflete a crise no atendimento
A tutora Valéria Noronha compartilhou sua experiência angustiante ao buscar atendimento para sua gata, Tetê, que se encontrava em estado crítico. Ao chegar ao HVU, ela foi informada sobre as restrições no atendimento e precisou levar o animal para uma clínica particular indicada por um médico do próprio hospital.
“O HVU é a opção mais próxima que temos de hospital ‘público’. Sem ele, ficamos de mãos atadas, pois os valores cobrados nas clínicas são exorbitantes”, desabafou Valéria. A gata realizou ultrassom e exames de sangue na clínica particular, mas os custos elevados deixaram a tutora preocupada com o pagamento das despesas médicas.
Medidas paliativas e busca por solução definitiva
Para minimizar os prejuízos aos trabalhadores e assegurar a continuidade dos serviços essenciais, a UFPI adotou o pagamento direto das verbas trabalhistas aos colaboradores. No entanto, na semana da paralisação, a instituição não recebeu os repasses financeiros necessários, o que inviabilizou a manutenção dessa medida emergencial.
A universidade afirmou que o repasse financeiro deve ser regularizado na próxima semana. Além disso, a nova licitação para contratação de uma empresa substituta está na fase final de ajustes para publicação do edital. O nome da empresa atual não foi divulgado pela UFPI.
A paralisação dos terceirizados evidencia a fragilidade do sistema de saúde animal público e a dependência de serviços terceirizados. A situação deixa tutores em situação vulnerável, tendo que arcar com custos elevados em clínicas particulares, enquanto a universidade busca soluções administrativas e contratuais para normalizar o atendimento no Hospital Veterinário Universitário.