Polícia Civil de Lins investiga morte de recém-nascida após parto prolongado de 18 horas
A Polícia Civil do município de Lins, localizado no interior de São Paulo, deu início a uma investigação para apurar as circunstâncias da morte de uma bebê recém-nascida. O caso ocorreu após a mãe enfrentar um trabalho de parto que se estendeu por impressionantes 18 horas na Santa Casa de Lins, uma instituição hospitalar pública da região.
Detalhes do atendimento e cronologia dos fatos
Conforme informações registradas no boletim de ocorrência, a gestante deu entrada no hospital às 8 horas da manhã de segunda-feira, dia 26 de fevereiro, já apresentando sinais de trabalho de parto. No entanto, o nascimento da criança só ocorreu muito tempo depois, precisamente às 4 horas da madrugada de terça-feira, dia 27 de fevereiro. Isso significa que o processo durou um total de 18 horas, um período considerado excessivamente longo e potencialmente arriscado para a saúde tanto da mãe quanto do bebê.
Reclamações da família e alegações de negligência
Após o parto finalmente acontecer, a família procurou imediatamente a pediatria da Santa Casa para verificar o estado da recém-nascida. Foi nesse momento que receberam a trágica notícia: a bebê havia falecido. Parentes próximos relataram à polícia que, durante todo o processo, o médico responsável pelo caso teria insistido na realização de um parto normal, mesmo diante das longas horas de sofrimento e possíveis complicações. Essas alegações levantaram suspeitas de que poderia ter havido negligência médica ou falhas no protocolo de atendimento, motivando a abertura da investigação.
Procedimentos policiais e aguardo de laudos
Para esclarecer as causas exatas da morte, a Polícia Civil solicitou a realização de um exame necroscópico no Instituto Médico Legal, o IML. Esse laudo pericial é fundamental para determinar se houve fatores clínicos, como asfixia ou outras complicações relacionadas ao parto prolongado, que possam ter levado ao óbito. Enquanto isso, a direção da Santa Casa de Lins emitiu uma nota informando que está aguardando os resultados do laudo pericial antes de se pronunciar oficialmente sobre o caso. A instituição afirmou que colabora com as autoridades e segue todos os procedimentos internos necessários.
Outro caso similar na região de Bauru e Marília
Paralelamente, a Prefeitura de Lençóis Paulista, também no interior paulista, instaurou uma sindicância interna para investigar a morte de uma bebê de apenas 9 meses de idade. O falecimento ocorreu após atendimento na Unidade de Pronto Atendimento, a UPA, do município. Segundo a administração municipal, a criança foi inicialmente avaliada na UPA e, em seguida, encaminhada com urgência ao Hospital das Clínicas de Bauru, onde veio a óbito na mesma segunda-feira, dia 26 de fevereiro. A família dessa bebê igualmente alega negligência médica no primeiro atendimento, destacando um padrão preocupante na região.
Esses dois casos trágicos chamam a atenção para questões críticas na saúde pública, especialmente no que diz respeito a partos de alto risco e atendimentos de emergência pediátrica. As investigações policiais e administrativas buscam não apenas responsabilizar possíveis culpados, mas também identificar falhas sistêmicas que possam ser corrigidas para evitar futuras tragédias. A comunidade local aguarda ansiosamente por respostas e por medidas que garantam maior segurança e qualidade nos serviços de saúde oferecidos à população.