Tatuagem com tinta vermelha causa reação rara e homem perde cabelo e desenvolve vitiligo
Reação imunológica rara após tatuagem causa doenças graves

Um caso médico raro e grave registrado na Polônia serve como um alerta importante para quem planeja fazer uma tatuagem. Um homem de 45 anos desenvolveu uma série de doenças autoimunes após um procedimento de tatuagem, incluindo a perda total de cabelos e pelos do corpo e o surgimento de vitiligo.

Da coceira à perda total de pelos

O episódio, descrito em um artigo científico publicado pela editora MDPI, começou no final de 2020, quando o paciente fez uma tatuagem no braço utilizando tinta vermelha. Cerca de quatro meses depois, os primeiros sinais de problema apareceram: uma coceira intensa e um leve inchaço na região do desenho.

No início de 2021, a situação tomou proporções alarmantes. O que parecia uma simples irritação local evoluiu para uma condição sistêmica. O homem começou a perder cabelo e todos os pelos do corpo, um quadro diagnosticado como alopecia universal. Ele também parou de suar, condição conhecida como anidrose, e passou a apresentar erupções cutâneas extensas por toda a pele.

Diagnóstico de doenças graves e reação em cadeia

Ao buscar ajuda médica, o diagnóstico revelou a gravidade do caso. O paciente foi diagnosticado com eritrodermia, uma doença inflamatória severa que pode deixar a pele avermelhada e inflamada em até 90% da superfície corporal. Todas essas condições eram novas para ele, sem histórico prévio.

A investigação clínica concluiu que o organismo do homem desencadeou uma reação imunológica grave ao pigmento vermelho da tatuagem. A resposta do sistema de defesa não ficou restrita à pele e começou a atacar diferentes sistemas do corpo, como se a tinta fosse uma ameaça generalizada.

A primeira medida tomada pelos médicos foi a remoção cirúrgica da tatuagem da pele. No entanto, a solução não foi suficiente para conter a reação em cadeia que já havia sido iniciada.

O surgimento do vitiligo e o alerta final

Pouco tempo após a cirurgia, o paciente retornou ao consultório médico com novas manchas pelo corpo. Exames confirmaram que ele havia desenvolvido vitiligo, uma doença autoimune sem cura caracterizada pela perda progressiva da pigmentação da pele.

No artigo, os médicos poloneses explicam que a tatuagem atuou como um gatilho capaz de ativar múltiplos mecanismos autoimunes simultaneamente. Isso levou ao desenvolvimento de diferentes doenças em um indivíduo que não apresentava nenhum desses problemas antes do procedimento estético.

Os especialistas reforçam que reações cutâneas locais, como coceira e inflamação, já são riscos conhecidos associados a tatuagens. Contudo, este caso raro demonstra que, em situações excepcionais, os pigmentos podem desencadear reações imunológicas sistêmicas e severas, incluindo formas graves de doenças autoimunes. O relato serve como um importante alerta sobre os potenciais riscos, ainda que incomuns, por trás da arte corporal.