Em meio a uma escalada de tensões, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que autoridades do Irã procuraram a Casa Branca para negociar. A declaração foi feita após o republicano ter feito ameaças de uma possível ação militar, citando a repressão violenta aos protestos antigovernamentais que assolam o país.
Chamada de Teerã e ameaça de ação prévia
A bordo do avião presidencial no domingo (11/01/2026), Trump revelou a jornalistas que "os líderes iranianos ligaram" e que "uma reunião está sendo planejada". Segundo ele, Teerã "quer negociar", mas Washington ainda avalia os próximos passos.
O presidente norte-americano, no entanto, fez um alerta grave: "Talvez tenhamos de agir antes de uma reunião". Ele afirmou receber atualizações constantes sobre a situação e que seu governo "vai tomar uma decisão".
Trump disse que as Forças Armadas dos EUA analisam "opções muito fortes" diante do risco de uma repressão violenta contra os manifestantes. "Estamos tratando isso com muita seriedade. Os militares estão avaliando a situação e consideramos alternativas duras. Vamos decidir", afirmou.
Protestos mortais e retórica inflamada
O presidente citou mortes durante os protestos, afirmando que o governo iraniano começa a "cruzar uma linha". Ele mencionou manifestantes que teriam morrido pisoteados e outros baleados, atribuindo os episódios ao que chamou de "reinado de violência" de Teerã.
Organizações de direitos humanos afirmaram no mesmo domingo que a repressão aos protestos já deixou ao menos 544 mortos. Ativistas alertam que o número real pode ser maior, já que o corte da internet no país desde quinta-feira dificulta a verificação independente das informações.
Trump ainda lembrou episódios anteriores para justificar que o Irã leva suas advertências a sério, citando a morte do general Qasem Soleimani, a eliminação do líder do Estado Islâmico Abu Bakr al-Baghdadi e, segundo ele, a redução da ameaça nuclear iraniana.
Resposta iraniana e próximos passos
Do lado iraniano, a resposta foi de confronto. O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Qalibaf, declarou que forças norte-americanas e Israel seriam "alvos legítimos" caso Washington ataque o país. Foi a primeira vez que Israel apareceu explicitamente na lista de possíveis alvos. O discurso ocorreu em meio a gritos de "Morte à América!" no plenário.
Trump minimizou a possibilidade de retaliação: "Se fizerem isso, responderemos a níveis nunca vistos", afirmou.
Enquanto isso, o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, acusou as declarações de Trump de incentivar ataques e disse que o Irã mantém a situação sob controle. Ele afirmou que o país está preparado tanto para um confronto militar quanto para negociações diplomáticas.
O Wall Street Journal informou que Trump deve se reunir na terça-feira (13/01) com membros do governo para a primeira discussão formal sobre possíveis medidas contra o Irã. As opções em análise incluem:
- Ciberataques;
- Sanções adicionais;
- Bombardeios.
Outro ponto curioso mencionado por Trump foi a intenção de conversar com Elon Musk sobre o uso de satélites da Starlink para "manter a internet funcionando" no Irã, contornando o bloqueio imposto pelas autoridades locais.
A crise, que mistura protestos internos, ameaças militares e uma frágil abertura para diálogo, coloca o mundo em alerta para os desdobramentos dos próximos dias.