O governo da Venezuela, liderado pelo chavismo, anunciou nesta quinta-feira (8) uma medida que pode alterar o cenário político do país: a libertação de presos políticos, incluindo cidadãos estrangeiros. A decisão foi comunicada pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da líder interina Delcy Rodríguez.
Um gesto unilateral de paz
Em declaração oficial, Jorge Rodríguez afirmou que a iniciativa partiu do governo bolivariano em conjunto com as instituições do Estado. O objetivo declarado é promover uma convivência pacífica no país. "Para a convivência pacífica, o governo bolivariano, junto com as instituições do Estado, decidiu liberar um número significativo de venezuelanos e estrangeiros", disse o parlamentar.
Ele enfatizou que se trata de um gesto unilateral de paz, que não foi negociado ou acordado com nenhuma outra parte envolvida nos conflitos políticos venezuelanos. "É um gesto unilateral de paz e não foi acordado com nenhuma outra parte", reforçou Rodríguez.
Detalhes e agradecimentos
O anúncio foi feito sem a revelação da identidade dos presos que serão beneficiados. No entanto, Rodríguez garantiu aos jornalistas que os processos de libertação já começaram e que as solturas ocorreriam "em algumas horas" a partir do momento do discurso.
Na mesma ocasião, o líder parlamentar fez agradecimentos públicos. Ele mencionou o ex-presidente espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, o presidente brasileiro Lula e o governo do Catar, por terem "respondido prontamente ao apelo" feito pela líder interina Delcy Rodríguez.
Rodríguez também abordou a pressão do governo de Donald Trump por petróleo venezuelano, caracterizando-a como parte de acordos comerciais normais entre duas nações soberanas que mantêm relações há anos.
Contexto e números
Se confirmadas, estas serão as primeiras libertações de presos políticos sob o comando de Delcy Rodríguez, que assumiu a liderança interina após a captura do ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. A dupla foi detida em uma operação militar dos Estados Unidos no último sábado (3) e atualmente está presa em Nova York.
De acordo com dados da ONG Fórum Penal, a Venezuela registra atualmente 806 presos por motivos políticos. Deste total, 175 são militares. A organização monitora constantemente a situação dos direitos humanos no país.
Paralelamente, os Estados Unidos anunciaram um plano em três fases para a Venezuela no período pós-captura de Maduro. A estratégia, apresentada pelo senador Marco Rubio, prevê etapas de estabilização econômica, recuperação com abertura ao mercado internacional e uma transição política. Contudo, o plano ainda não detalha como serão conduzidas eleições ou qual será o cronograma de transferência de poder.