EUA dão aval a força multinacional na Ucrânia após cessar-fogo, revela documento
EUA apoiam força multinacional na Ucrânia após trégua

Um rascunho de declaração conjunta, que será discutido em uma cúpula internacional em Paris nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, revela uma significativa mudança na posição dos Estados Unidos em relação ao conflito na Ucrânia. O documento, ao qual as agências de notícias AFP e Reuters tiveram acesso, indica que o governo do presidente Donald Trump se comprometeu a apoiar o destacamento de uma força multinacional de defesa em território ucraniano, caso a Rússia lance uma nova agressão após um eventual cessar-fogo.

O Conteúdo do Acordo Proposto

De acordo com a minuta, os Estados Unidos liderariam um mecanismo de monitoramento e verificação do cessar-fogo, que contaria com a participação de aliados europeus. O compromisso mais substancial, porém, está no apoio explícito de Washington a uma força militar multinacional, liderada pela Europa, que seria implantada na Ucrânia depois que uma trégua entrasse em vigor.

Essa força teria a missão de fornecer medidas de segurança aérea, marítima e terrestre para o país e garantiria a regeneração das forças armadas ucranianas. O texto especifica que, embora a liderança seja europeia, os americanos participariam com capacidades de inteligência e logística, além de um compromisso formal de apoiar as tropas europeias se a Rússia atacasse novamente.

Garantias de Segurança e o Obstáculo Russo

O documento também menciona que os aliados europeus de Kiev, um grupo chamado de "coalizão dos dispostos", ofereceriam garantias de segurança politicamente e juridicamente vinculativas. Essas promessas seriam ativadas assim que um cessar-fogo começasse a valer e poderiam incluir desde o uso de capacidades militares até a imposição de novas sanções contra a Rússia.

No entanto, todo o plano esbarra em um obstáculo central: a Rússia não demonstrou qualquer sinal de que está disposta a encerrar os combates. Analistas apontam que Moscou mantém suas exigências maximalistas sobre território ucraniano e que a pressão internacional, inclusive do governo Trump, não foi suficiente para forçar um acordo de paz até o momento.

Preparações para a Cúpula e o Papel da Defesa Aérea

A declaração será apresentada e precisa ser aprovada pelos líderes e representantes de mais de 30 países que se reúnem no Palácio do Eliseu, em Paris. A aprovação do texto pelos europeus é vista como um passo crucial para encorajar os Estados Unidos a consolidarem suas promessas.

Pouco antes da cúpula, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, se reuniu com seu homólogo francês, Emmanuel Macron. Em publicação no X (antigo Twitter), Zelensky destacou a urgência de reforçar a defesa aérea do país, argumentando que "cada entrega de mísseis de defesa aérea salva vidas e aumenta as chances de diálogo". Para Kiev, assistência militar concreta e diplomacia devem avançar juntas.

Os próximos passos, caso o cessar-fogo se torne realidade, envolverão complexas discussões sobre o monitoramento da trégua, o formato exato da força multinacional, o apoio contínuo ao exército ucraniano e planos de longo prazo de cooperação em defesa com a Europa e a Otan. A reunião em Paris marca, portanto, um esforço de planejamento para um cenário de paz que ainda depende fundamentalmente da vontade do Kremlin.