O governo do Irã declarou, nesta segunda-feira (12), que mantém "controle total" da situação interna, após uma escalada de violência registrada durante os protestos do fim de semana. A afirmação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, em meio a crescente pressão internacional e novas ameaças de intervenção por parte dos Estados Unidos.
Acusações e ameaças em meio à crise
Segundo o chanceler iraniano, as advertências públicas do presidente norte-americano, Donald Trump, teriam incentivado "terroristas" a promover ataques. Trump condicionou uma possível ação militar ao agravamento da repressão. Araqchi afirmou que esses grupos tentariam criar um cenário que justificasse uma intervenção externa.
"Estamos prontos para a guerra, mas também para o diálogo", declarou Araqchi, sinalizando que Teerã não descarta negociações diplomáticas. Ele também informou que o serviço de internet, suspenso em grande parte do país desde a quinta-feira passada, será restabelecido de forma gradual, em coordenação com as autoridades de segurança.
Discurso endurecido de Washington e cenário grave
Do lado norte-americano, Donald Trump continuou a endurecer o tom. Na sexta-feira (9), ele afirmou na Casa Branca que os EUA podem intervir caso o regime iraniano passe a "matar pessoas" durante os protestos. "Vamos atingi-los com muita força onde mais dói", declarou.
No sábado, o presidente reforçou as ameaças, dizendo que o Irã "busca liberdade" e que os norte-americanos estariam "prontos para ajudar". No domingo (11), Trump acrescentou que Teerã teria procurado Washington para discutir um possível acordo nuclear após a escalada da crise interna, embora tenha alertado que uma ação militar pode ocorrer antes, diante do aumento de mortes e prisões. O chanceler iraniano não comentou essa possibilidade.
Organizações de direitos humanos relatam um cenário grave. A HRANA, com sede nos EUA, estima ao menos 538 mortos, incluindo 490 manifestantes e 48 policiais, além de mais de 10,6 mil pessoas presas. Outras ONGs denunciam o uso de munição real contra os protestos. O governo iraniano não divulga balanços oficiais regulares.
Contexto nuclear e reações regionais
A tensão ocorre em um contexto já marcado por disputas nucleares. Em 2017, Trump retirou os EUA do acordo que limitava o programa nuclear iraniano. Desde então, o Irã retomou o enriquecimento de urânio acima dos níveis necessários para geração de energia. Em junho de 2025, instalações de pesquisa nuclear iranianas foram bombardeadas pelos EUA.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu que a população se afaste do que chamou de "terroristas e baderneiros", ao mesmo tempo em que acusou Washington e Tel Aviv de "semear o caos". O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, advertiu que qualquer ataque ao Irã teria como resposta retaliações contra Israel e bases militares norte-americanas na região.
Nos bastidores, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, discutiu o cenário com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Este último declarou esperar que o Irã "seja em breve libertado da tirania" e condenou "os massacres em massa cometidos contra civis".
Enquanto isso, o bloqueio da internet, que segundo organizações de monitoramento já ultrapassa 80 horas, dificulta a verificação independente dos fatos e amplia o isolamento do Irã, mergulhado na maior onda de protestos desde 2009 e em um cenário de crescente risco de escalada internacional.