Delegada de SP sofre ataques machistas após posse; polícia investiga
Ataques machistas contra delegada de SP viram caso de polícia

A Polícia Civil de São Paulo abriu investigação para apurar uma série de ataques machistas e ofensas dirigidos a uma delegada recém-empossada. As agressões virtuais começaram após a publicação de uma foto comemorando sua posse no cargo.

O caso e a vítima

A delegada Raphaela Natali Cardoso, de 31 anos, registrou um boletim de ocorrência na última quinta-feira, dia 8. Ela relatou que, depois de compartilhar uma imagem celebrando sua conquista profissional, passou a ser alvo de comentários coordenados que atacavam sua honra, dignidade, capacidade profissional e sua condição de mulher.

Os ataques, feitos por perfis com identidade desconhecida, incluíram mensagens de ódio, discriminação de gênero e ofensas de cunho sexual. O caso foi registrado como prática de discriminação e injúria e está sendo analisado pelo 51º Distrito Policial (DP), localizado no Rio Pequeno, na Zona Oeste da capital paulista.

Conteúdo das ofensas

Entre os comentários ofensivos coletados no boletim, destacam-se frases que defendem a exclusão das mulheres de carreiras no sistema de Justiça e segurança pública. Algumas das mensagens reproduzidas são:

  • "Seria mais relevante se estivesse parindo menino".
  • "Delegado, juiz e qualquer cargo de justiça: mulher deveria ser proibido".
  • "Quando um povo é liderado por mulheres, é sinal de punição divina".

Além dessas, houve ainda comentários com ofensas de teor sexual e ataques pessoais diretos à dignidade da profissional.

Enquadramento legal e investigação

O boletim de ocorrência foi enquadrado na Lei 7.716/89, que define os crimes resultantes de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, sendo aplicada por analogia a outros tipos de discriminação, além do crime de injúria.

O 51º DP já adotou as providências cabíveis para a apuração da ocorrência. A investigação tem como objetivo identificar os autores dos perfis que propagaram os ataques machistas contra a delegada Raphaela Natali Cardoso.

O caso joga luz sobre a violência de gênero no ambiente virtual e os desafios enfrentados por mulheres que ocupam posições de autoridade tradicionalmente associadas a figuras masculinas, como na segurança pública e no Poder Judiciário.