O primeiro Boletim Focus de 2026, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, 5 de janeiro, trouxe um cenário de relativa estabilidade nas expectativas dos economistas e analistas de mercado para os principais indicadores da economia brasileira.
Expectativas de inflação com ajustes pontuais
A pesquisa semanal, que consolida as projeções do mercado financeiro, apresentou apenas movimentos marginais nas previsões para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A estimativa para a inflação de 2025 recuou levemente, de 4,32% para 4,31%. A confirmação oficial deste patamar depende da divulgação do IPCA de dezembro, marcada para a próxima sexta-feira, 9 de janeiro.
Para o ano corrente de 2026, a projeção subiu um centésimo, de 4,05% para 4,06%. Nos anos seguintes, as expectativas se mantiveram inalteradas: 3,80% em 2027 e 3,50% em 2028. Este último valor representa uma aproximação do centro da meta de inflação perseguida pelo BC, que é de 3%, com um limite de tolerância de até 4,5%.
Crescimento moderado e juros elevados por mais tempo
No front do crescimento econômico, o mercado não revisou suas projeções. A expectativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 permanece em 2,26%. Para 2026 e 2027, a previsão segue em um ritmo mais moderado, de 1,80% ao ano. Uma leve aceleração para 2,00% só é esperada em 2028, indicando uma trajetória de recuperação gradual.
O cenário monetário desenhado pelo Focus reforça a tese de que os juros básicos devem permanecer em patamares elevados por um período prolongado. A taxa Selic esperada para o fim de 2026 segue projetada em 12,25% ao ano. O processo de flexibilização aparece apenas no horizonte mais distante, com a taxa recuando para 10,50% em 2027 e 9,75% em 2028. Este movimento gradual está condicionado a uma convergência mais firme da inflação para a meta.
Câmbio e panorama geral
As projeções para a taxa de câmbio também mostraram estabilidade. O dólar permanece estimado em R$ 5,50 para os anos de 2026 e 2027, com uma leve alta para R$ 5,52 apenas em 2028.
Em resumo, o primeiro relatório do ano sinaliza que o mercado financeiro enxerga um caminho de ajuste lento para a economia brasileira. A combinação de inflação ainda resistente, crescimento moderado e juros altos deve caracterizar os próximos anos, com uma normalização mais clara apenas a partir de 2028. A manutenção das projeções reflete um ambiente de incertezas, onde os analistas aguardam novos dados e direcionamentos de política econômica para realizar ajustes mais significativos em suas expectativas.