Ibovespa sobe 0,59% em dia de cautela com IPCA e payroll; Azul despenca 76%
Ibovespa avança em dia de espera por IPCA e payroll dos EUA

O mercado financeiro brasileiro encerrou a sessão desta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, em um clima de expectativa. Enquanto aguardava a divulgação de importantes indicadores econômicos, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores B3, registrou uma alta moderada de 0,59%, fechando próximo aos 162,9 mil pontos.

Expectativa por dados define o tom do pregão

O movimento do mercado foi marcado por cautela, com investidores evitando apostas mais agressivas. A atenção estava voltada para dois eventos cruciais: a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 no Brasil e do relatório oficial de empregos, o payroll, nos Estados Unidos, ambos programados para sexta-feira.

"O mercado vem evitando grandes exposições antes de obter sinais mais claros sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed), banco central americano, e a trajetória inflacionária doméstica", explicou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Apesar da prudência, as expectativas para o ciclo de juros nos EUA seguem firmes. De acordo com a ferramenta Fed Watch, do CME Group, cerca de 90% do mercado precifica que a taxa de juros americana será mantida entre 3,50% e 3,75% na próxima reunião. Contudo, a maioria dos analistas projeta que a taxa deve recuar para um patamar entre 3,0% e 3,25% até o final do ano, uma queda de 0,5 ponto percentual.

Petróleo e geopolítica impulsionam commodities

No cenário internacional, declarações do presidente americano, Donald Trump, sobre a Venezuela impactaram os preços das commodities. Trump afirmou que os Estados Unidos poderiam administrar o país e extrair petróleo de suas vastas reservas por "muito mais tempo" do que seis meses ou um ano.

Com isso, o barril de petróleo do tipo Brent teve um forte avanço de aproximadamente 4,9%, sendo cotado a 62,9 dólares no fechamento. No mercado brasileiro, as ações da Petrobras refletiram o otimismo, registrando uma valorização de 2,5%.

Azul despenca e setor bancário tem desempenho misto

O dia foi marcado por um desempenho extremamente negativo das ações da Azul (AZUL54). Os papéis da companhia aérea sofreram uma desvalorização histórica de 76,3%. A queda vertiginosa ocorreu em meio ao início das negociações de um volume bilionário de novas ações ofertadas ao mercado, que passaram a ser negociadas a valores bem abaixo de um real.

Já o setor bancário apresentou um desempenho majoritariamente positivo, acompanhando a alta do índice principal. O Santander (SANB11) liderou os ganhos, com alta de 1,75%, seguido pelo Itaú (ITUB4), que avançou 1,55%. O Banco do Brasil (BBAS3) subiu 0,55%. Por outro lado, o Bradesco (BBDC4) nadou contra a maré e fechou o dia em queda de 1,70%.

Enquanto isso, o dólar comercial encerrou o pregão praticamente estável, sendo cotado a R$ 5,38 para venda.

O cenário geral aponta para uma semana de movimentos pontuais e cautela elevada. Os investidores agora aguardam os dados de inflação e emprego para direcionar seus próximos passos, em um momento de definição sobre a política monetária global e seus reflexos no Brasil.