Ibovespa abre em alta com inflação em queda, mas tensão na Venezuela preocupa
Ibovespa sobe com inflação em queda e crise na Venezuela

O principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, iniciou a semana com movimentos positivos nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026. Por volta das 11h01, o indicador orbitava a faixa dos 160.822 pontos, em um pregão influenciado por uma mistura de notícias domésticas favoráveis e tensões geopolíticas no cenário internacional que aumentam a cautela dos investidores.

Boletim Focus traz mais uma queda na expectativa de inflação

No front doméstico, o grande destaque do dia foi a divulgação do Boletim Focus, relatório semanal do Banco Central que reúne as projeções do mercado financeiro. Os dados trouxeram um novo recuo nas expectativas para a inflação oficial de 2025, medida pelo IPCA. A mediana das projeções caiu de 4,32% para 4,31%, marcando a oitava redução consecutiva.

Com esse movimento, a projeção para o próximo ano se mantém abaixo do teto da meta de inflação, que é de 4,50%. Para 2026, no entanto, houve uma pequena revisão para cima, interrompendo uma sequência de seis semanas de cortes: a estimativa subiu de 4,05% para 4,06%.

Crise na Venezuela e agenda dos EUA agitam o cenário externo

Enquanto os números da inflação brasileira acalmam o mercado local, o ambiente internacional apresenta nuvens de preocupação. Os investidores acompanham de perto os desdobramentos da ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro.

O presidente americano, Donald Trump, fez declarações contundentes no fim de semana, afirmando que o país passará por um período de controle temporário norte-americano. Ele ainda sinalizou que novas ações podem ocorrer caso o governo venezuelano não colabore com a abertura do setor petrolífero e o combate ao narcotráfico, mencionando também a possibilidade de medidas envolvendo Colômbia e México.

Essa escalada geopolítica reacendeu temores e adicionou uma camada de volatilidade aos mercados globais. Em paralelo, a atenção do mercado financeiro internacional se volta para uma série de indicadores econômicos dos Estados Unidos que serão divulgados ao longo da semana, com potencial para influenciar as decisões do Federal Reserve (Fed).

Desempenho setorial e movimentos de ativos

Dentro do Ibovespa, o desempenho dos setores refletiu o cenário de incertezas. As ações ligadas ao petróleo estavam entre as maiores quedas do índice, pressionadas pela combinação de tensões geopolíticas e oscilações nos preços da commodity. A Brava Energia (BRAV3) liderava as perdas, com recuo de 2,10%, seguida por Prio (PRIO3), que caía 0,91%, e PetroRecôncavo (RECV3), com baixa de 0,09%.

Entre os grandes bancos, o tom era misto: Bradesco (BBDC4) avançava 0,53%, Santander (SANB11) subia 0,32% e Itaú (ITUB4) ganhava 0,20%, enquanto Banco do Brasil (BBAS3) recuava 0,14%.

O cenário de cautela global favoreceu a busca por ativos considerados de proteção. De acordo com Bruno Yamashita, analista da Avenue, o ouro se destacava, registrando alta de cerca de 2% no dia. O petróleo também operava em alta, entre 0,7% e 0,8%, equilibrando os riscos de oferta com a decisão da Opep+ de manter os níveis de produção.

Nos demais mercados, por volta das 11h, o dólar comercial operava a R$ 5,44. Em Wall Street, os futuros dos índices mostravam sinais diversos: Dow Jones recuava 0,01%, Nasdaq Futuro avançava 0,38% e S&P 500 Futuro subia 0,68%.

A semana promete ser movimentada, com os investidores dividindo a atenção entre os dados positivos da inflação brasileira, a pesada agenda de indicadores norte-americanos e os imprevisíveis desdobramentos da crise política na Venezuela, que segue como um foco de instabilidade para os mercados globais.