92% dos brasileiros priorizam equilíbrio vida-trabalho, diz estudo Randstad
Brasileiros priorizam equilíbrio vida-trabalho, diz estudo

Uma ampla pesquisa internacional revela uma mudança profunda nas prioridades do trabalhador brasileiro. O estudo Workmonitor 2025, realizado pela Randstad, aponta que 92% dos profissionais no Brasil desejam mais equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional. O dado coloca o país acima da média global, que é de 83%.

O que realmente importa para o trabalhador brasileiro?

A pesquisa ouviu mais de 26 mil pessoas em 35 mercados, incluindo 755 empregados de diversos setores no Brasil. Os resultados mostram uma hierarquia de valores clara. A remuneração, embora importante para 92% (ante 82% global), não é mais o fator absoluto. Para 83% dos brasileiros, a flexibilidade de horário é uma prioridade, um índice superior à média mundial de 73%.

Outro ponto crucial é a localização do trabalho. 80% dos profissionais no país consideram a flexibilidade de local uma prioridade, contra 67% no cenário global. Além disso, o alinhamento de valores com a empresa ganha força: 58% no Brasil consideram isso importante, número que supera a média global de 48%.

Propósito e valores: motivos para ficar ou sair

O chamado "propósito" deixou de ser um conceito abstrato e se tornou um critério prático de escolha. O estudo mostra que 76% dos trabalhadores brasileiros acreditam que os valores sociais e ambientais de seus empregadores estão alinhados aos seus. Contudo, quando não há essa sintonia, a reação é firme: 58% rejeitariam uma vaga em uma empresa com valores incompatíveis.

Esse alinhamento é decisivo não só para entrar, mas para permanecer. Cerca de 28% dos entrevistados já pediram demissão por discordar dos pontos de vista da liderança. A falta de perspectivas de crescimento também é um forte motivador para a saída: 37% já deixaram um emprego por esse motivo e 53% afirmam que sairiam caso não vissem possibilidade de progressão.

Ambiente tóxico é intolerável e qualificação é essencial

O trabalhador brasileiro se mostra particularmente sensível à cultura organizacional. 53% já pediram demissão devido a um ambiente de trabalho prejudicial, e 54% deixariam o emprego se não sentissem um senso de pertencimento. A expectativa é por ambientes mais saudáveis, transparentes e com líderes acessíveis.

Diante da aceleração tecnológica, a qualificação tornou-se central. 87% dos brasileiros consideram treinamento e desenvolvimento importantes para permanecer ou aceitar um novo emprego, um percentual muito acima da média global de 72%. Quase metade (44%) pediria demissão se a empresa não oferecesse meios para atualizar suas habilidades.

Os temas de aprendizado que mais despertam interesse são: Inteligência Artificial (27%), Alfabetização Tecnológica e TI (17%), Gestão e Liderança (8%), Diversidade e Inclusão (7%) e Bem-estar (5%). Diferente da tendência global, 49% dos brasileiros acreditam que a responsabilidade pelo próprio desenvolvimento é principalmente do trabalhador.

Empresas começam a se adaptar

O levantamento indica que parte do mercado empregador já está reagindo a essas demandas. No Brasil, 63% dos entrevistados afirmam ter flexibilidade de horário e 60% contam com flexibilidade de local. Nos últimos seis meses, 35% perceberam aumento na flexibilidade de jornada e 31% notaram avanços na flexibilidade de localização.

Esses números sugerem um movimento gradual das organizações para atender às exigências por maior autonomia e bem-estar. As empresas que não investirem em cultura organizacional, transparência e qualidade de vida terão, segundo o estudo, dificuldade crescente para atrair e reter os talentos mais qualificados e exigentes do mercado brasileiro.