Nova denúncia de agressão a criança envolve segunda funcionária em creche de Iacanga
Segunda funcionária é denunciada por agressão em creche de Iacanga

Nova denúncia por agressão a criança envolve mais uma funcionária em creche de Iacanga

Um novo boletim de ocorrência por maus-tratos foi registrado nesta quinta-feira (29) contra uma segunda funcionária da Escola Municipal Maria Aparecida Andozia Castro, localizada em Iacanga, no interior de São Paulo. A denúncia envolve uma criança de apenas 3 anos e eleva para cinco o número total de alunos vítimas de agressões dentro da unidade escolar, todas ocorridas no mesmo dia, 14 de janeiro.

Detalhes da nova ocorrência

De acordo com o boletim de ocorrência, a mãe da criança foi acionada pelo Conselho Tutelar após uma análise minuciosa das imagens de câmeras de segurança instaladas na creche. As gravações, que não foram divulgadas publicamente, mostram o menino sentado no refeitório com uma das pernas presa no vão da cadeira. Em seguida, a funcionária é flagrada levantando e chacoalhando a criança de forma brusca, além de movimentar seus braços e pernas com violência, conforme descrito na denúncia.

Este novo caso ocorre em paralelo às investigações envolvendo outra funcionária da mesma creche, que já está sendo apurada por agressões a outras crianças na mesma data. A primeira servidora foi afastada de suas funções e é alvo de um processo administrativo disciplinar interno. As gravações foram solicitadas pela Polícia Civil, que instaurou um termo circunstanciado, procedimento semelhante a um inquérito policial, para apurar os fatos.

Histórico de agressões na creche municipal

Antes desta nova ocorrência, as mães de quatro crianças, com idades entre um e dois anos, já haviam registrado boletim de ocorrência por maus-tratos contra uma funcionária da mesma creche municipal. As agressões também teriam ocorrido no dia 14 de janeiro, mas só vieram à tona quando as mães tiveram acesso às imagens das câmeras de segurança na segunda-feira (26).

Após assistirem aos vídeos, as responsáveis foram orientadas pelo Conselho Tutelar a procurar a polícia para formalizar as denúncias. Segundo os relatos das mães, que puderam ver todas as imagens, no vídeo é possível observar a servidora empurrando as crianças, forçando-as a se alimentar e também dando tapas nas cabeças delas, em cenas que causam profunda indignação.

Depoimentos emocionados das mães das vítimas

Jaqueline Roberta Canhiçari, mãe de um dos meninos agredidos, descreveu em entrevista à TV TEM as agressões que seu filho sofreu. "Meu filho está quieto chupando a laranja dele após a refeição e ela empurra a cadeira dele violentamente, empurra. Ele se assusta, se afasta, aí cai a laranja da mão dele. Creio eu que ela manda pegar a laranja, porque no vídeo não tem áudio. Acho que ele não pega essa laranja e é onde ela vai de forma bruta, pega ele pelo braço, levanta e joga com tudo no chão. Quase que ele bate a cabeça em uma quina de uma mesa e, nesse instante, ele fica chorando, ele fica ali sem reação", relatou a mãe, visivelmente abalada.

"Você sai para trabalhar e assiste a uma coisa dessas com o seu filho. É difícil de ver a imagem, é muito dolorida. Não dá para descrever o que você sente", completou Jaqueline, destacando o trauma causado pela situação.

Outra mãe, Pamela Heloísa de Siqueira Martins, também viu as gravações e contou que a mulher foi agressiva e forçou o filho dela a comer. "Meu filho estava comendo sozinho, estava ali quietinho no canto dele, já tem essa mania de ele não querer mesmo que as pessoas tratem dele. A gente já tem esse cuidado dentro de casa e ela querendo a todo custo enfiar a colher na boca dele. E aí, ela, ele não querendo, falando 'não', tipo, fazendo não com a cabeça, ela simplesmente pegou e empurrou a cabeça dele com força, puxou ele pelo bracinho", explicou Pamela, reforçando a gravidade dos atos.

As outras duas crianças também aparecem nas imagens sendo agredidas, completando o quadro de violência. É importante ressaltar que as quatro crianças não frequentam a creche regularmente e estavam no local somente neste período de férias, o que torna o caso ainda mais chocante.

Investigações em andamento e falta de posicionamento oficial

A Polícia Civil segue investigando os casos, com base nas imagens das câmeras de segurança e nos depoimentos das famílias envolvidas. O g1 entrou em contato com a Secretaria de Educação de Iacanga para obter um posicionamento oficial sobre as denúncias e as medidas tomadas, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

O caso evidencia a necessidade de maior fiscalização e protocolos de segurança em instituições de ensino infantil, além de reforçar a importância dos canais de denúncia para proteger as crianças contra quaisquer formas de maus-tratos. A comunidade local aguarda ansiosamente por respostas e ações concretas das autoridades competentes.