Espírito Santo: 70% dos municípios passam mais de 500 dias sem feminicídios
ES: 70% das cidades sem feminicídios há mais de 500 dias

Espírito Santo registra avanço significativo na redução de feminicídios

Um levantamento recente do Mapa da Paz, do Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), revela um cenário promissor no combate à violência de gênero no Espírito Santo. Os dados indicam que quase 70% das cidades capixabas estão há mais de 500 dias sem registrar casos de feminicídio, demonstrando um progresso importante na proteção das mulheres.

Municípios que se destacam pela ausência de ocorrências

Do total de 78 municípios do estado, 53 não tiveram registros de feminicídios por um período superior a 500 dias. Entre essas localidades, 14 se destacam por não apresentarem nenhuma ocorrência há pelo menos uma década, desde que o crime foi tipificado no Brasil em 2015.

Chamam atenção os casos de Vila Pavão e Vargem Alta, que ultrapassam a marca de 3 mil dias sem feminicídios. Vila Pavão já soma mais de nove anos sem registros, enquanto Vargem Alta completa pouco mais de oito anos.

Regiões metropolitanas e interior apresentam números positivos

Na Região Metropolitana, Vitória e Fundão também integram a lista de municípios sem ocorrências. A capital do estado completou 600 dias sem feminicídios, enquanto sua cidade vizinha alcançou 613 dias.

No Norte do Espírito Santo, Linhares e Aracruz se destacam com 567 e 557 dias sem registros, respectivamente. Já no Sul capixaba, Castelo e Guaçuí não contabilizam o crime há 598 e 1.554 dias.

Queda de quase 15% nos números estaduais

Embora 2025 tenha sido um ano difícil para as mulheres brasileiras, com recorde nacional de feminicídios, o Espírito Santo registrou uma redução de quase 15% nas ocorrências em comparação com 2024. Foram 34 casos ante 39 registros no ano anterior.

Segundo a delegada gerente de Proteção à Mulher da Sesp, Michelle Meira, essa diminuição reflete os investimentos realizados para proteger e acolher as vítimas. "A gente tem a Patrulha Maria da Penha, que de 2023 a 2025 dobrou a capacidade de visitas realizadas. O projeto Homem que é Homem, da Polícia Civil, também está avançando pelo interior do Estado, são 28 municípios", explicou.

Programas de proteção e conscientização ampliados

O projeto Homem que é Homem promove reflexão e responsabilização de homens autores de violência contra a mulher, buscando contribuir para a redução da reincidência criminal. Paralelamente, as visitas da Patrulha Maria da Penha aumentaram significativamente: de 10.630 em 2023 para 18.446 em 2025.

Além dessas iniciativas, 16 das 18 delegacias regionais do Espírito Santo contam com as "Salas Marias", espaços dedicados ao acolhimento de mulheres vítimas de violência. Nessas salas, as vítimas são ouvidas por chamada de vídeo pelos Delegados do Teleflagrante e, quando necessário, encaminhadas para outros serviços de apoio.

Integração na rede de proteção à mulher

A assistente social da Polícia Civil do Espírito Santo, Renata Leal Santana, destacou o objetivo principal dessas ações: "É para que elas recebam tanto o apoio psicológico necessário quanto o acesso às demais políticas públicas: de saúde, educação, assistência, habitação... para que, de fato, elas tenham os meios necessários para romper com o ciclo de violência".

Esses esforços integrados demonstram como políticas públicas bem estruturadas podem gerar resultados concretos na proteção das mulheres e na redução de crimes de gênero no estado.