Justiça determina perda de cargos de PMs condenados por chacina em Cavalcante, Goiás
PMs condenados por chacina perdem cargos públicos em Goiás

Justiça determina perda de cargos de PMs condenados por chacina em Cavalcante

A Justiça de Goiás determinou que dois policiais militares condenados pela morte de quatro homens durante uma ação policial em Cavalcante, na região nordeste do estado, percam seus cargos públicos. A decisão judicial, proferida pela juíza Isabela Rebouças Maia, acolheu os embargos apresentados pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) contra os militares.

Condenação e pedido de perda de cargos

Os policiais envolvidos são o sargento Aguimar Prado de Morais e o soldado Luís César Mascarenhas Rodrigues. Aguimar foi condenado a 13 anos e 9 meses de prisão em regime fechado por homicídio qualificado, enquanto Luís César recebeu pena de 6 anos em regime semiaberto pelo mesmo crime.

Na decisão, a magistrada destacou que a conduta dos sentenciados não é compatível com a permanência na função pública. "Os sentenciados não honraram a instituição a que pertencem, pondo em risco a integridade da Administração Pública, demonstrando-se, assim, a necessidade da perda dos cargos públicos e funções públicas, uma vez que a conduta dos sentenciados é absolutamente incompatível com a permanência deles", afirmou a juíza.

Recurso da defesa e detalhes do caso

A defesa do sargento Aguimar, representada pelo advogado Mildo Ferreira, informou que já entrou com recurso contra a decisão. Segundo a defesa, a perda dos cargos não é definitiva até o desfecho do recurso pendente. A reportagem tentou contato com a defesa de Luís César e com a Polícia Militar, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

O crime ocorreu em 20 de janeiro de 2022, em uma propriedade rural de Cavalcante. A Polícia Militar alegou na época que foi até o local após denúncia de plantação de maconha e que foi recebida a tiros, necessitando revidar. No entanto, a investigação apontou que as quatro vítimas foram executadas com 58 tiros.

Investigação e repercussão

De acordo com o delegado Alex Rodrigues, que investigou o caso, os policiais afirmaram ter encontrado 500 pés de maconha, mas parte da droga foi incinerada antes da chegada da Polícia Civil. O Ministério Público denunciou sete PMs, alegando que uma das vítimas foi atingida quando já estava no chão e que os policiais queimaram vegetação para destruir evidências.

As vítimas foram identificadas como:

  • Salviano Souza da Conceição, 63 anos
  • Ozanir Batista da Silva, 47 anos
  • Antônio da Cunha Fernandes, 35 anos
  • Alan Pereira Soares, 27 anos

Na época do crime, entidades e movimentos sociais repudiaram a ação policial e pediram justiça, destacando que as vítimas eram pessoas pacíficas e conhecidas na comunidade.

Julgamento e absolvições

No julgamento, além da condenação dos dois PMs, cinco outros policiais militares foram absolvidos por júri popular. A sentença considerou que Aguimar comandou a operação "sem planejamento, com informações distorcidas acerca das vítimas; resultando numa ação criminosa e morte das vítimas". Já a culpabilidade de Luís César foi considerada média, pois ele teria recebido ordens de um superior.

Os policiais absolvidos foram:

  1. Mivaldo José Toledo
  2. Jean Roberto Carneiro dos Santos
  3. Ítallo Vinícius Rodrigues de Almeida
  4. Welborney Kristiano Lopes dos Santos
  5. Eustáquio Henrique do Nascimento

O caso continua sob análise judicial, com recursos pendentes que podem alterar o desfecho final da perda dos cargos públicos dos condenados.