Procon de Juiz de Fora investiga fechamento acelerado de agências do Itaú por risco de exclusão financeira
Procon investiga fechamento de agências do Itaú em Juiz de Fora

Procon de Juiz de Fora investiga fechamento acelerado de agências do Itaú

A Agência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Juiz de Fora iniciou uma investigação preliminar para apurar o fechamento acelerado de três agências do Itaú Unibanco S.A. no município. Segundo o órgão, a medida, ligada à redução de custos e ao aumento da lucratividade do banco, pode violar o Código de Defesa do Consumidor e provocar exclusão financeira de grupos vulneráveis, como idosos e pessoas com dificuldade de acesso ou familiaridade com tecnologia.

Possíveis violações ao Código de Defesa do Consumidor

De acordo com o Procon, entre as possíveis violações sistêmicas identificadas estão:

  • Fechamento de três agências do Itaú em Juiz de Fora, reduzindo a presença física do banco na cidade.
  • Migração compulsória para canais digitais, sem oferecer suporte adequado ou alternativas presenciais equivalentes aos clientes.
  • Risco significativo de exclusão financeira para idosos e pessoas com dificuldade de acesso ou familiaridade com tecnologia.
  • Falta de transparência e de diálogo com a comunidade local sobre as mudanças.
  • Sobrecarga das agências remanescentes, o que pode levar à queda na qualidade do atendimento presencial.
  • Estratégia de fechamento claramente associada à redução de custos e ao aumento da lucratividade, em detrimento do serviço ao consumidor.
  • Ausência do banco em audiências, sendo considerado revel em 25 das 42 realizadas entre agosto e outubro de 2025.
  • Baixa taxa de resolutividade em audiências, de apenas 10,53%, indicando pouca eficácia nas negociações.
  • Baixa cooperação com o Procon, com cerca de 20% das notificações sem resposta por parte do Itaú.

Prazos e exigências do Procon para o Itaú

O banco foi notificado oficialmente e tem prazos rigorosos para cumprir as determinações do órgão. O Itaú possui um prazo de 10 dias para apresentar estudos detalhados, dados sobre os clientes afetados e justificativas formais para o fechamento das agências. Além disso, em até 48 horas a partir de terça-feira (27), o banco deve:

  1. Adotar uma medida reparatória imediata, como a suspensão de novos fechamentos de agências na região.
  2. Promover a reabertura temporária das unidades fechadas, garantindo acesso presencial aos clientes.
  3. Oferecer atendimento presencial alternativo adequado, especialmente para os grupos mais vulneráveis.

O Procon alerta que o descumprimento dessas determinações pode configurar crime de desobediência e gerar sanções administrativas severas, incluindo multas e outras penalidades. A investigação preliminar visa garantir que os direitos dos consumidores sejam respeitados e que a transição para serviços digitais não exclua parte da população.

Contexto e próximos passos

O g1 entrou em contato com o Itaú para obter esclarecimentos sobre o caso, mas ainda aguarda um retorno oficial do banco. Esta ação do Procon de Juiz de Fora reflete uma preocupação crescente com a exclusão financeira em meio à digitalização acelerada dos serviços bancários, um tema que tem ganhado destaque em discussões sobre cidadania e acesso a serviços essenciais.

A situação em Juiz de Fora serve como um alerta para outras cidades que possam enfrentar cenários similares, onde a redução de custos por parte das instituições financeiras pode colidir com a proteção ao consumidor e a inclusão social. O caso será acompanhado de perto, com possíveis desdobramentos que podem influenciar políticas públicas e práticas do setor bancário em todo o país.