O júri popular de dois policiais militares acusados de assassinar o adolescente Thiago Meneses Flausino, de 13 anos, durante uma operação na Cidade de Deus, comunidade da Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, foi adiado. O julgamento, que estava previsto para ocorrer nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, foi remarcado para o dia 10 de fevereiro, após um pedido formal da defesa dos réus.
Detalhes do adiamento e acusações
A defesa dos policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner de Faria solicitou o adiamento, alegando falta de acesso prévio a uma das provas apresentadas no processo. Ambos os acusados admitiram a autoria dos tiros que resultaram na morte de Thiago Meneses Flausino em 2023 e estão presos desde maio de 2024.
Os dois PMs enfrentam acusações de homicídio e fraude processual. Enquanto o julgamento pelo assassinato ocorre no 2º Tribunal do Júri, a acusação de fraude processual será analisada na auditoria da Justiça Militar, destacando a complexidade jurídica do caso.
Contexto do crime e investigações
De acordo com as investigações, Thiago Meneses Flausino circulava de moto com um amigo na Cidade de Deus quando ambos desequilibraram e caíram. No momento em que tentavam reerguer o veículo, um carro descaracterizado se aproximou, e quatro policiais militares saíram do automóvel já atirando. Investigações posteriores revelaram que o adolescente foi atingido por três tiros, levando à sua morte instantânea.
Além de Diego Pereira Leal e Aslan Wagner de Faria, outros dois cabos, Silvio Gomes Santos e Roni Cordeiro de Lima, além do capitão Diego Geraldo Rocha de Souza, também respondem pelo crime. As investigações apontam que o grupo adulterou a cena do assassinato e plantou uma pistola 9 milímetros para simular um confronto, uma prática que reforça as acusações de fraude processual.
Manifestações e impacto social
Antes da decisão de adiar o júri, familiares e amigos de Thiago Meneses Flausino organizaram uma manifestação em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no Centro da cidade. A mãe do adolescente, procurada por veículos de imprensa, não se manifestou até a publicação desta reportagem, refletindo o clima de tensão e expectativa em torno do caso.
O adiamento do julgamento reacende debates sobre a eficiência da justiça em casos envolvendo violência policial e a proteção de direitos de menores. A comunidade da Cidade de Deus, historicamente afetada por operações policiais, acompanha com atenção os desdobramentos deste processo, que pode estabelecer precedentes importantes para futuros julgamentos similares.
Com a nova data marcada para 10 de fevereiro, os olhos da sociedade civil e das autoridades estarão voltados para o Tribunal de Justiça do Rio, aguardando um desfecho que traga justiça para a família de Thiago Meneses Flausino e responsabilize os envolvidos neste trágico episódio.