Marçal condenado a pagar R$ 100 mil a Boulos por difamação com laudo falso de cocaína
Os embates políticos entre Pablo Marçal, do PRTB, e Guilherme Boulos, do PSOL, continuam a gerar repercussões judiciais significativas. O ex-coach foi condenado a indenizar o agora ministro da Secretaria-Geral da Presidência em 100 mil reais por associá-lo, sem qualquer prova, ao uso de cocaína durante a campanha eleitoral de 2024 para a prefeitura de São Paulo.
Decisão judicial aponta dolo intenso e fabricação de mentira
A sentença da 10ª Vara Cível de São Paulo, proferida pelo juiz Danilo Fadel de Castro, caracterizou as ações de Marçal como uma fabricação fria e calculada de uma mentira documental. O magistrado destacou que o réu agiu com dolo intenso, utilizando sua ampla rede de alcance digital para potencializar os danos à honra de Boulos.
O juiz enfatizou que não se tratava de uma mera opinião ou sátira política, mas sim da criação deliberada de uma realidade criminosa para imputar falsamente ao adversário a condição de usuário de entorpecentes. A alegação de desconhecimento da falsidade foi considerada próxima da má-fé, dado o planejamento prévio anunciado por Marçal.
Laudo falso e consequências eleitorais
Durante a campanha, Marçal repetidamente acusou Boulos de usar cocaína e, na véspera do primeiro turno, divulgou um laudo médico falso. Esse documento alegava que Boulos havia sido internado devido a um surto provocado pelo uso da droga. Investigações posteriores revelaram que o médico citado no laudo havia falecido anos antes e atuava em uma especialidade diferente.
As repercussões negativas desse episódio contribuíram para a exclusão de Marçal da disputa eleitoral, já que ele não obteve votos suficientes para avançar ao segundo turno. Além da condenação civil, o caso também gerou consequências criminais para o ex-coach.
Possibilidade de recurso e situação atual
A decisão judicial foi publicada no Diário de Justiça na segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, e ainda cabe recurso por meio de uma apelação ao Tribunal de Justiça de São Paulo. Enquanto isso, Pablo Marçal permanece inelegível, o que limita sua atuação política futura.
Este caso ilustra os limites da liberdade de expressão em campanhas eleitorais e a responsabilidade dos candidatos em basear suas acusações em fatos verídicos. A Justiça reforçou a necessidade de preservar a honra e a dignidade dos indivíduos, mesmo em contextos de intensa disputa política.