O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, protagonizou uma série de publicações acaloradas na rede social X, antigo Twitter, para rebater críticas direcionadas à investigação da morte do cão comunitário Orelha. Em meio a uma provável candidatura a deputado estadual nas eleições deste ano, Gabriel direcionou ataques a "esquerdistas", levantando questionamentos sobre a conduta profissional e o uso político do caso sensível.
O contexto das críticas e a reação do delegado
As postagens do chefe da instituição policial catarinense começaram no dia 31 de janeiro, após ele receber uma mensagem ofensiva que acusava a falta de ação para solucionar o caso envolvendo menores de idade. Em resposta, Gabriel destacou os índices positivos de segurança pública de Santa Catarina, afirmando: "SC é o Estado com a melhor segurança do Brasil, o menor índice de homicídios e roubos do país, o que resolve mais de 80% das mortes violentas e o Estado com a polícia mais tecnológica e um Estado referência mundial. Aqui bandido não é vítima da sociedade".
Debate acirrado nas redes sociais
Foram mais de duzentas respostas ao comentário inicial de Gabriel, que, na sequência, intensificou suas críticas à esquerda brasileira. Usuários da plataforma X manifestaram descontentamento, com um deles comentando: "É o estado do Ulisses Gabriel, que não resolveu o caso do Orelha e está fazendo palanque sobre o sofrimento dele". Outro usuário acrescentou: "Doutor, enquanto uma autoridade pública o senhor não deveria ficar retrucando comentário de rede social e sim se ater à ocupação pública".
Respostas direcionadas e menção ao Bolsa Família
Em réplica, o delegado-geral direcionou suas publicações especificamente aos esquerdistas, citando que Santa Catarina é o estado com o menor número de beneficiários do programa social Bolsa Família. Ele declarou: "E eu que pensava que o propósito da esquerda era paz e amor. Deve ser apenas para os pares e para os traficantes. Ao invés de nos atacar, cobrem de seus deputados a redução da maioridade penal, a melhoria das polícias e o recrudescimento das leis penais. Hipocrisia de momento".
Gabriel ainda reforçou: "Lamentável! Nos atacam por ser um Estado de direita, o mais seguro, o que mais cresce, o que tem o menor índice de desemprego do mundo, o que menos tem beneficiários do Bolsa Família". Essas declarações ocorrem em um momento em que ele deve deixar o cargo nas próximas semanas para se dedicar à campanha eleitoral.
Detalhes do caso Orelha e andamento das investigações
A investigação do caso Orelha ganhou repercussão nacional devido à crueldade envolvida na morte do animal. O cão vivia na Praia Brava, em Florianópolis, e era cuidado por moradores da região. No dia 4 de fevereiro, ele foi atacado, não resistiu aos ferimentos e faleceu. Pelo menos três adolescentes são investigados por participação na ação.
Um inquérito policial sobre suposta coação de dois pais e um tio dos envolvidos foi encaminhado ao Ministério Público e à Justiça. Há forte pressão popular para que o caso seja apurado pela Polícia Federal, mas isso dificilmente ocorrerá, pois não se trata de um crime federal.
Esclarecimentos oficiais e responsabilidades
Nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, diante das diversas respostas recebidas durante o fim de semana, o delegado-geral publicou uma nota para "esclarecer vários pontos". Entre eles, destacou que a investigação deve permanecer com autoridades catarinenses e que ele não é o responsável direto pela apuração, mas sim dois delegados da capital do estado.
O caso continua sob investigação da Polícia Civil local, enquanto o debate nas redes sociais evidencia as tensões políticas e sociais em torno de temas como segurança pública, direitos animais e a atuação de autoridades em períodos eleitorais.