Caso Epstein: Político britânico deixa partido após revelações sobre ligações com financiador
A polícia do Reino Unido confirmou que está analisando denúncias contra o político Peter Mandelson, relacionadas às suas conexões com o falecido financiador Jeffrey Epstein. As investigações ocorrem após a divulgação de mais de três milhões de arquivos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que trouxeram à tona novos detalhes sobre o caso.
Pressão política e renúncia partidária
Peter Mandelson, uma figura proeminente do Partido Trabalhista e membro da Câmara dos Lordes, anunciou sua saída do partido no último domingo. A decisão foi tomada após a publicação de documentos que mostram pagamentos de Epstein a Mandelson, além de depósitos no valor de £10.000 (aproximadamente 70 mil reais) para seu marido, o brasileiro Reinaldo Avila da Silva.
Em comunicado, Mandelson afirmou que está se afastando para evitar mais constrangimentos ao Partido Trabalhista, embora tenha negado as acusações presentes nos arquivos. Esta não é a primeira vez que sua amizade com Epstein gera consequências: no ano passado, ele perdeu o cargo de embaixador do Reino Unido em Washington devido a revelações anteriores sobre o relacionamento.
Pedidos de depoimento e renúncia à Câmara dos Lordes
O primeiro-ministro Keir Starmer, que já havia demitido Mandelson do posto diplomático, agora enfrenta pressão para garantir que o político deponha nos Estados Unidos sobre o que sabia das atividades de Epstein. Além disso, Starmer pediu publicamente que Mandelson renuncie à Câmara dos Lordes, a câmara alta não eleita do Parlamento britânico.
Se ele se recusar, a expulsão exigiria um processo legislativo complexo, algo que não ocorre há mais de um século. O porta-voz do primeiro-ministro, Tom Wells, destacou que Starmer não tem o poder de removê-lo, mas acredita que Mandelson não deveria manter seu título de nobreza.
Novas alegações e documentos comprometedores
Os arquivos recém-divulgados incluem centenas de mensagens de texto e e-mails trocados entre Mandelson e Epstein, revelando uma relação próxima. Em 2003, o político se referiu a Epstein como meu melhor amigo. Extratos bancários de 2003 e 2004 indicam que uma conta de Epstein enviou três pagamentos, totalizando US$ 75 mil, para contas ligadas a Mandelson.
Entre os documentos, há também uma troca de e-mails de 2009 na qual Mandelson, então ministro do governo britânico, aparentemente ofereceu influenciar outros integrantes do governo para reduzir um imposto sobre bônus de banqueiros. Além disso, os arquivos contêm uma foto íntima de Mandelson ao lado de uma mulher não identificada.
Repercussões e obrigação moral
O ministro Steve Reed afirmou que Mandelson e outros homens poderosos, como Andrew Mountbatten-Windsor (irmão do rei Charles III), têm uma obrigação moral de ajudar as vítimas de Epstein. Se alguém tem informações que possam levar justiça às vítimas, então deve compartilhá-las, declarou Reed à Sky News.
Jeffrey Epstein morreu por suicídio em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais de abuso sexual de dezenas de meninas. Anos antes, ele havia evitado um processo federal ao se declarar culpado na Flórida por crimes estaduais.
Fim de uma carreira turbulenta
Peter Mandelson, de 72 anos, é uma figura controversa no Partido Trabalhista há décadas. Conhecido como Príncipe das Trevas, ele foi um dos arquitetos do Novo Trabalhismo sob Tony Blair, ocupando cargos importantes entre 1997 e 2010. No entanto, sua trajetória foi marcada por escândalos: ele renunciou duas vezes durante o governo Blair por alegações de impropriedade financeira ou ética.
Recentemente, sua experiência em comércio internacional foi aproveitada quando Starmer o nomeou embaixador em Washington, onde ajudou a fechar um acordo comercial com os Estados Unidos. Porém, a demissão em setembro passado e a atual saída do partido mostram que as sombras do caso Epstein continuam a perseguir sua carreira política.