Filho da futura rainha da Noruega enfrenta julgamento por múltiplas acusações criminais
Marius Borg Hoiby, de 29 anos, filho da princesa herdeira norueguesa Mette-Marit, inicia nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, um julgamento histórico que coloca sob intensa pressão a imagem da monarquia norueguesa. O processo judicial, que deve se estender até meados de março, envolve nada menos que 38 acusações criminais, incluindo estupro, abuso em relacionamento íntimo, atos de violência doméstica e transporte de drogas.
Acusações detalhadas e possível pena
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público norueguês, Hoiby responde por quatro casos de estupro ocorridos em 2018, 2023 e 2024, além de violência contra ex-namoradas, ameaças de morte, infrações de trânsito e transporte de 3,5 quilos de maconha. Os promotores afirmam que, se condenado, o réu pode enfrentar até dez anos de prisão, demonstrando a gravidade das acusações.
As investigações tiveram início em agosto de 2024, após Hoiby ser preso por agredir uma namorada. O procurador-geral da Noruega, Sturla Henriksbo, enfatizou que o fato do réu ter conexões com a família real não resultará em tratamento diferenciado, seja para mais ou para menos severidade.
Defesa e declarações do acusado
Marius Borg Hoiby se declarou inocente das acusações de estupro, mas admitiu culpa por agressão e vandalismo em um incidente com sua ex-namorada. Segundo suas declarações, suas ações foram resultado da "influência de álcool e cocaína após uma discussão", e ele tem sofrido com "problemas de saúde mental" e lutado "por um longo tempo contra o abuso de substâncias".
O advogado de defesa, Petar Sekulic, afirmou que seu cliente "nega todas as acusações de abuso sexual, bem como a maioria das acusações relacionadas à violência", e prometeu apresentar "um relato detalhado de sua versão dos acontecimentos perante o tribunal".
Contexto familiar e comportamento controverso
Marius Borg Hoiby é filho da princesa Mette-Marit – esposa do príncipe herdeiro Haakon – de um relacionamento anterior com Morten Borg. Diferentemente de seus meio-irmãos, a princesa Ingrid Alexandra (21 anos) e o príncipe Sverre Magnus (19 anos), ele não possui funções públicas oficiais e está fora da linha de sucessão real norueguesa.
Apesar das tentativas de sua mãe em protegê-lo dos holofotes, Hoiby tem feito manchetes recorrentes na mídia norueguesa por seu comportamento. Descrito como um loiro alto e robusto que cultiva um visual "bad boy" com cabelo penteado para trás, brincos, anéis e tatuagens, ele supostamente mantinha em sua companhia membros de gangues e da máfia albanesa de Oslo.
Posicionamento da família real
O príncipe Haakon, futuro rei da Noruega, declarou à emissora pública NRK que as acusações são sérias e afetam todos ao redor do jovem. Em uma rara declaração, ele anunciou que nem ele nem sua esposa comparecerão ao tribunal, e que a Casa Real não comentará o caso durante o processo.
"Hoiby não faz parte da Casa Real e, como cidadão norueguês, tem os mesmos deveres e direitos que qualquer outra pessoa", afirmou o príncipe, expressando confiança de que o julgamento será conduzido de forma "ordeira, correta e justa".
As sombras do escândalo Epstein
O caso Hoiby ganhou dimensões ainda mais complexas com a recente divulgação de documentos relacionados ao financista Jeffrey Epstein, condenado por liderar uma rede de exploração sexual. Os arquivos, divulgados na sexta-feira, 30 de janeiro, contêm várias centenas de menções à princesa Mette-Marit.
As correspondências revelam que a futura rainha utilizou por alguns dias, no início de 2013, uma propriedade de Epstein em Palm Beach, Flórida. A Casa Real confirmou o fato, ocorrido por intermédio de um amigo em comum, enquanto a princesa emitiu uma nota assumindo responsabilidade por seu "mau julgamento".
"Lamento profundamente isso, e é uma responsabilidade que preciso assumir. Demonstrei mau julgamento e me arrependo de ter tido qualquer contato com Epstein. É simplesmente constrangedor", declarou Mette-Marit, expressando também "profunda simpatia e solidariedade" às vítimas do criminoso.
Este julgamento ocorre em um momento particularmente delicado para a monarquia norueguesa, tradicionalmente popular no país, mas que agora enfrenta um dos maiores desafios de imagem de sua história recente, combinando acusações criminais graves contra um membro da família real com as reverberações do escândalo Epstein.