Caso Epstein: E-mails revelam elogios de Bannon e Epstein a Bolsonaro em 2018
E-mails de Epstein e Bannon elogiam Bolsonaro em 2018

Caso Epstein: Novos documentos revelam elogios de Bannon e Epstein a Bolsonaro em 2018

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou na última sexta-feira, 30 de janeiro, mais de 3 milhões de arquivos relacionados ao caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein, morto em 2019. Entre os documentos, uma troca de e-mails atribuída a Epstein e ao ex-conselheiro do presidente Donald Trump, Steve Bannon, traz diversas menções elogiosas ao então candidato à presidência do Brasil, Jair Bolsonaro, durante a campanha eleitoral de 2018.

Elogios a Bolsonaro em meio à disputa eleitoral

Em um e-mail datado de 8 de outubro de 2018, Epstein escreve: "Bolsonaro mudou o jogo. Nenhum refugiado quer entrar. Bruxelas não lhe diz o que fazer. Ele só precisa reativar a economia. MASSIVO". Na véspera, Bolsonaro havia obtido 49,2 milhões de votos no primeiro turno, contra 31,3 milhões de Fernando Haddad, garantindo a disputa no segundo turno, do qual sairia vitorioso.

Bannon respondeu a Epstein, afirmando que era próximo ao grupo do ex-presidente e questionando: "Eles me querem como conselheiro. Devo fazer isso?". Epstein respondeu com uma referência ao argumento "reino no inferno", sugerindo uma situação complexa. Em entrevista à BBC News Brasil na época, Bannon descreveu Bolsonaro como "líder", "brilhante", "sofisticado" e "muito parecido com Trump", embora negasse participação formal na campanha.

Menções a Lula e discussões sobre apoio político

Os novos documentos também incluem menções ao presidente Lula, em diálogos entre Epstein e o filósofo Noam Chomsky. Em uma conversa, Epstein diz a Bannon que Chomsky havia ligado para ele da prisão, ao lado de Lula – afirmação negada pela esposa de Chomsky, Valeria, e pelo Palácio do Planalto. Bannon respondeu: "Diga a ele que o meu candidato vai ganhar no primeiro turno", aparentemente referindo-se a Bolsonaro, ao que Epstein respondeu: "Bolsonaro é de verdade" (no original em inglês, "the real deal").

Epstein e Bannon discutiram ainda uma possível ida de Bannon ao Brasil para apoiar Bolsonaro. Epstein afirmou: "Se você está confiante na vitória [de Bolsonaro], pode ser bom para sua marca se você fosse visto lá". No entanto, os documentos revelam que Epstein não gostou de Bolsonaro ter chamado de "fake news" uma associação com Bannon, após declarações do filho Eduardo Bolsonaro à imprensa.

Contexto das relações e aconselhamentos

Segundo os e-mails, Bannon expressou preocupação com a segurança de Bolsonaro, dizendo à BBC News Brasil em 2018: "Minha preocupação número um foi que ele fosse assassinado. Eu nem perguntei ao filho, apenas disse diretamente: 'Vocês precisam de segurança'". Ele também destacou a dinâmica "jovem" da campanha bolsonarista.

Epstein aconselhou Bannon a evitar falar de Bolsonaro ao se encontrar com Chomsky, mencionando que a esposa do filósofo é brasileira e que o casal é amigo de Lula. Ele disse: "Ele vai querer saber se você está do lado dos pequenos: corte de impostos, ataques à saúde pública e as ameaças bolsonaristas aos trabalhadores organizados". Chomsky mantinha uma relação próxima com Epstein, que teria oferecido ajuda financeira e estadia.

Os documentos reforçam os elos entre figuras internacionais e a política brasileira, destacando como discussões privadas influenciaram percepções durante um período eleitoral crucial. A divulgação contínua de arquivos do caso Epstein continua a revelar detalhes sobre redes de poder e comunicação global.